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Publicado a: 09/05/2018

As catacumbas de Umbra

Publicado a: 09/05/2018

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

1999 – завтра faz parte do processo de iniciação no “culto” de Umbra. A beat tape, que está disponível na sua conta de SoundCloud, congrega oito temas que levam rkeat, Ice Burz, Osémio Boémio e Cripta para o “castelo gótico” ocupado pelo jovem produtor.

Natural da Ucrânia, Denys Hryshchenko vive em Portugal desde os quatro anos. O artista aponta $uicideBoy$ (“eu apaixonei-me pela sonoridade da produção do $crim”) e Getter como referências, mas também Lil Peep (“o Peep morreu e eu passei o dia em casa a fazer beats em sua homenagem”). Depois da tempestade, a bonança: os instrumentais criados nesse fatídico dia acabaram nas mãos de Lon3r Johny, outro nome emergente no panorama nacional. E os resultados da colaboração estão à vista: “Alone By Choice” angariou 11 mil visualizações em duas semanas.

Com apenas 19 anos, o produtor ainda tem um longo caminho a percorrer para confirmar os bons apontamentos que deixou nos primeiros projectos. Para já, é hora da visita: vamos entrar nas catacumbas sónicas de Umbra.

 



[APRESENTAÇÃO]

“Sou conhecido como Umbra, mas o meu nome verdadeiro é Denys Hryshchenko. Tenho 19 anos e sou natural da Ucrânia. Vim para Portugal com apenas quatro anos e vivi este tempo todo em Albufeira, no Algarve.”

[O INÍCIO DO TRAJECTO]

“No final de 2014 descobri a produção de música electrónica e comecei a criar EDM, house, future house, por aí. Mais tarde passei a produzir dubstep. No Verão de 2016, um amigo meu mostrou-me os $uicideboy$, quando estavam prestes a lançar o EP com o Getter, que é uma grande influência para mim. Eu apaixonei-me pela sonoridade da produção do $crim. Fui produzindo trap aos poucos e também comecei a ouvir muito mais trap underground.”

[AS INFLUÊNCIAS E NOMES QUE NÃO PODEM FALTAR]

“Uma das minhas maiores influências é, sem dúvida, o Getter, seja na electrónica ou no hip hop. Eu admiro muito a versatilidade e a originalidade dos temas dele e isso é algo que eu quero atingir. Procuro ter um signature sound que me distinga dos outros produtores, mas ao mesmo tempo quero surpreender o público com algo que eles não estejam à espera num som meu.

Smrtdeath, lil lotus, yung goth, Bones e especialmente Lon3r Johny. Estes artistas são bons exemplos da minha sonoridade actual.”

[A MAQUINARIA]

“No início produzia com um laptop de 256MB de RAM e uns fones de gaming no FL Studio. Agora, depois de passar três Verões a trabalhar em restauração dez horas por dia, arranjei um bom desktop, umas KRK Rokit6 e uns fones Audio Technica ATH-M50x. Utilizo também um vinyl deck para gravar samples. Quando quero, gravo guitarra com o micro, e utilizo o Ableton como o meu DAW.”

[SAMPLING]

“Até agora só tenho dois lançamentos que incluem samples de vinis (‘mensagem’ e ‘weird fruit’). No ‘mensagem’, samplei um disco da Cidália, que adquiri na Feira da Ladra — e utilizei ‘O Silêncio’. No ‘weird fruit’, peguei na ‘Strange Fruit’ da Billie Holiday. O disco comprei na Fnac. Raramente faço digging porque tenho dois amigos que muitas vezes mandam música interessante que eu posso samplar. O género que mais me desperta a motivação para samplar é o jazz.”

[A NOVA TAPE E AS COLABORAÇÕES]

“O rkeat foi o primeiro produtor que eu conheci pessoalmente, embora já nos conhecêssemos pela Internet antes. Quando eu fui pela primeira vez ao estúdio do Horrorclub em Dezembro, fizemos a collab que lançámos agora. Essa foi a única collab que fiz juntamente com o artista no estúdio, o resto foi feito online; Eu e o Osémio Boémio também nos conhecemos online. Entretanto já o conheci em pessoa, mas só produzimos em conjunto pela net; Descobri o Cripta no SoundCloud quando ele me seguiu, dei uma olhadela no trabalho dele e adorei a sua sonoridade. Após algum tempo, encontrei-o no concerto dos $uicideboy$, onde estivemos à conversa. A partir daí começámos a falar online e a trocar projectos; Conheci o Ice Burz também no estúdio do Horrorclub e tentámos colaborar, mas acabámos por fazê-lo mais tarde pela Internet. Arranjei um sample de jazz, fiz o flip e passei-lhe para meter os drums dele, que eu curto bué. Considero 1999 – завтра o melhor projecto que lancei até agora.”

[A RELAÇÃO COM LON3R JOHNY]

“Descobri o Lon3r Johny através do rkeat quando eles lançaram o ‘My Life’. Tive curiosidade e fui ouvir mais dele e acabei por ir ao primeiro concerto dele no Musicbox. Um dia, o Lon3r mandou-me mensagem no SoundCloud a dizer que curtia do meu trabalho, eu disse-lhe que também ouvia muito a música dele, mas nunca chegámos a falar em trabalhar juntos. Entretanto, a 17 de Novembro, o Peep morreu e eu passei o dia em casa a fazer beats em sua homenagem. Quando os acabei, achei que o Lon3r podia entrar neles, tentei a minha sorte e mandei-lhe os instrumentais… Ele adorou e a partir daí é história.”

[NOVOS PROJECTOS]

“Tenho algumas collabs e ideias aqui e ali. Eu e o Osémio Boémio temos cenas interessantes por lançar, mas de momento estou mais concentrado em produzir bastante para vender os beats na Internet.”

 


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