As catacumbas de Umbra

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

1999 – завтра faz parte do processo de iniciação no “culto” de Umbra. A beat tape, que está disponível na sua conta de SoundCloud, congrega oito temas que levam rkeat, Ice Burz, Osémio Boémio e Cripta para o “castelo gótico” ocupado pelo jovem produtor.

Natural da Ucrânia, Denys Hryshchenko vive em Portugal desde os quatro anos. O artista aponta $uicideBoy$ (“eu apaixonei-me pela sonoridade da produção do $crim”) e Getter como referências, mas também Lil Peep (“o Peep morreu e eu passei o dia em casa a fazer beats em sua homenagem”). Depois da tempestade, a bonança: os instrumentais criados nesse fatídico dia acabaram nas mãos de Lon3r Johny, outro nome emergente no panorama nacional. E os resultados da colaboração estão à vista: “Alone By Choice” angariou 11 mil visualizações em duas semanas.

Com apenas 19 anos, o produtor ainda tem um longo caminho a percorrer para confirmar os bons apontamentos que deixou nos primeiros projectos. Para já, é hora da visita: vamos entrar nas catacumbas sónicas de Umbra.

 



[APRESENTAÇÃO]

“Sou conhecido como Umbra, mas o meu nome verdadeiro é Denys Hryshchenko. Tenho 19 anos e sou natural da Ucrânia. Vim para Portugal com apenas quatro anos e vivi este tempo todo em Albufeira, no Algarve.”

[O INÍCIO DO TRAJECTO]

“No final de 2014 descobri a produção de música electrónica e comecei a criar EDM, house, future house, por aí. Mais tarde passei a produzir dubstep. No Verão de 2016, um amigo meu mostrou-me os $uicideboy$, quando estavam prestes a lançar o EP com o Getter, que é uma grande influência para mim. Eu apaixonei-me pela sonoridade da produção do $crim. Fui produzindo trap aos poucos e também comecei a ouvir muito mais trap underground.”

[AS INFLUÊNCIAS E NOMES QUE NÃO PODEM FALTAR]

“Uma das minhas maiores influências é, sem dúvida, o Getter, seja na electrónica ou no hip hop. Eu admiro muito a versatilidade e a originalidade dos temas dele e isso é algo que eu quero atingir. Procuro ter um signature sound que me distinga dos outros produtores, mas ao mesmo tempo quero surpreender o público com algo que eles não estejam à espera num som meu.

Smrtdeath, lil lotus, yung goth, Bones e especialmente Lon3r Johny. Estes artistas são bons exemplos da minha sonoridade actual.”

[A MAQUINARIA]

“No início produzia com um laptop de 256MB de RAM e uns fones de gaming no FL Studio. Agora, depois de passar três Verões a trabalhar em restauração dez horas por dia, arranjei um bom desktop, umas KRK Rokit6 e uns fones Audio Technica ATH-M50x. Utilizo também um vinyl deck para gravar samples. Quando quero, gravo guitarra com o micro, e utilizo o Ableton como o meu DAW.”

[SAMPLING]

“Até agora só tenho dois lançamentos que incluem samples de vinis (‘mensagem’ e ‘weird fruit’). No ‘mensagem’, samplei um disco da Cidália, que adquiri na Feira da Ladra — e utilizei ‘O Silêncio’. No ‘weird fruit’, peguei na ‘Strange Fruit’ da Billie Holiday. O disco comprei na Fnac. Raramente faço digging porque tenho dois amigos que muitas vezes mandam música interessante que eu posso samplar. O género que mais me desperta a motivação para samplar é o jazz.”

[A NOVA TAPE E AS COLABORAÇÕES]

“O rkeat foi o primeiro produtor que eu conheci pessoalmente, embora já nos conhecêssemos pela Internet antes. Quando eu fui pela primeira vez ao estúdio do Horrorclub em Dezembro, fizemos a collab que lançámos agora. Essa foi a única collab que fiz juntamente com o artista no estúdio, o resto foi feito online; Eu e o Osémio Boémio também nos conhecemos online. Entretanto já o conheci em pessoa, mas só produzimos em conjunto pela net; Descobri o Cripta no SoundCloud quando ele me seguiu, dei uma olhadela no trabalho dele e adorei a sua sonoridade. Após algum tempo, encontrei-o no concerto dos $uicideboy$, onde estivemos à conversa. A partir daí começámos a falar online e a trocar projectos; Conheci o Ice Burz também no estúdio do Horrorclub e tentámos colaborar, mas acabámos por fazê-lo mais tarde pela Internet. Arranjei um sample de jazz, fiz o flip e passei-lhe para meter os drums dele, que eu curto bué. Considero 1999 – завтра o melhor projecto que lancei até agora.”

[A RELAÇÃO COM LON3R JOHNY]

“Descobri o Lon3r Johny através do rkeat quando eles lançaram o ‘My Life’. Tive curiosidade e fui ouvir mais dele e acabei por ir ao primeiro concerto dele no Musicbox. Um dia, o Lon3r mandou-me mensagem no SoundCloud a dizer que curtia do meu trabalho, eu disse-lhe que também ouvia muito a música dele, mas nunca chegámos a falar em trabalhar juntos. Entretanto, a 17 de Novembro, o Peep morreu e eu passei o dia em casa a fazer beats em sua homenagem. Quando os acabei, achei que o Lon3r podia entrar neles, tentei a minha sorte e mandei-lhe os instrumentais… Ele adorou e a partir daí é história.”

[NOVOS PROJECTOS]

“Tenho algumas collabs e ideias aqui e ali. Eu e o Osémio Boémio temos cenas interessantes por lançar, mas de momento estou mais concentrado em produzir bastante para vender os beats na Internet.”

 


Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro

"I just looked at the pictures"
Alexandre Ribeiro