Sevdaliza no SBSR’18: humana e independente

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTOS] Hélder White

Se no Mexefest de 2017 muitos ficaram à porta do São Jorge a desejar vê-la, no Super Bock Super Rock sobrava espaço debaixo da pala do Pavilhão de Portugal. Não estava frio, no entanto. As coreografias quentes da excêntrica Sevdaliza e os gritos que se ouviam da massa bem composta que ocupava a frente do Palco EDP tornaram a experiência de ver a artista iraniana em algo mais único. “Sev, I love you”, ouviu-se várias vezes.

E este amor bonito é recíproco. Tanto que Sevda Alizadeh traduziu “Human”, de Ison, e cantou-a em português. “Eu sou carne, ossos/ Eu sou pele, alma/ Eu sou humana”. O público reagiu, claro, entre o embasbacado e o começar a filmar, mas os mais atentos já gritavam “Humana” antes da cantora fazer esta proeza. A letra foi traduzida pelo produtor DESAMPA, de São Paulo, e está disponível no YouTube desde Maio.

Do novo trabalho, The Calling, lançado em Março deste ano, Sevdaliza optou por cantar apenas “Human Nature” e “Voodoov”. O foco esteve no primeiro álbum da artista que deixa tudo em palco em músicas como “Scarlette”. Misteriosa atrás do arranjo de flores que embeleza o suporte de microfone ou de costas para o público em momentos dançantes, Sev não deixou de sorrir e mostrar o quão feliz estava por se voltar a encontrar com os fãs portugueses, deixando ainda espaço para enaltecer a sua própria independência editorial e artística e a forma como construiu um percurso sem recurso a artimanhas.

A cantora iraniana-holandesa sabe que são muitos e quis apaparicá-los no final. Saiu do palco e abraçou um a um. Humana até ao fim.

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos