ROXO 04: As sensibilidades musicais da Monster Jinx têm uma cara

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [ARTWORK] Jorge Charrua

A Monster Jinx acaba de acrescentar um novo volume – o quarto – à série ROXO. A nova compilação surge com uma inspiração particular: as sensibilidades musicais da editora são aqui personificadas em “Helena”, a mulher que vemos na capa criada por Jorge Charrua. Maria, Roger Plexico, NO FUTURE, E.A.R.L., Raez, Ghost Wavvves, DarkSunn e OSEB também aceitaram o desafio e tentaram capturar o espírito da “senhora” nas suas músicas.

2018 é um ano especial para a label: afinal de contas, 10 anos é um marco simbólico para um grupo que sempre procurou agitar as águas do beatmaking nacional. A Purple Hazin de Fevereiro foi o primeiro momento digno de nota, a compilação anual acaba de marcar mais pontos e o resto será revelado brevemente. Fiquem atentos.

A ROXO 04 está disponível para download gratuito, em formato cassete e nas principais plataformas digitais. Bruno Dias, que assina artisticamente como DarkSunn, esteve à conversa com o Rimas e Batidas e falou sobre o novo projecto, a falta de representação feminina nos quadros da editora ou os planos para comemorar os 10 anos de existência da Monster Jinx.

 



Chegámos ao quarto volume da saga Roxo. Numa label com bastantes produtores, como é que funciona o processo de selecção das músicas para este tipo de compilação?

Continua a funcionar da mesma maneira que funcionamos em qualquer compilação: uns meses antes são pedidas tracks a todos os artistas da Jinx e, há medida que vão surgindo, vamos organizando as ideias. Escolhemos conscientemente não ter influência no processo criativo de cada artista, de modo a garantir que o seu output é o mais fiável ao seu estado no momento. São sempre faixas originais de cada um. E o que é engraçado é sentir que, no final, quando estamos a compilar tudo e a preparar a ordem da tracklist, estas compilações soam ultra coesas, como se o pessoal estivesse todo junto quando estava a produzir.

Desta vez decidiram criar músicas que captassem as sensibilidades musicais da Monster Jinx. Como é que surgiu a ideia?

Foi um pouco como te disse na resposta à pergunta anterior: estas compilações marcam o início do ano para a Monster Jinx e representam quase o nosso “zeitgeist“, ou seja, o clima actual da Monster Jinx. É interessante sentir o que tem alterado de ano para ano, na nossa visão. Este ano, a estética continua toda lá: onde estamos e para onde estamos a ir.

O Jorge Charrua foi o artista convidado para fazer a capa do projecto. Porquê ele?

Desde a primeira edição, temos tido artistas diferentes a trabalhar no artwork da Roxo. Inicialmente, mantivemos os artistas de casa, com a min e o Tiago Lessa na primeira e segunda edição. Na terceira, chamámos o “nosso” Laro Lagosta, que também já trabalha connosco há imenso tempo e por quem temos um nível de respeito gigante. Nesta é o Jorge, porque, no final do dia, adoramos o trabalho dele. Sabíamos à partida que ele ia trazer uma visão ultra própria e não desiludiu: apresentou-nos a “Helena”, que ilustra perfeitamente o ambiente desta ROXO. Foi um orgulho e um prazer trabalhar com o Jorge nisto. E ter a sua arte em formato de print para acompanhar a edição da cassette foi a cereja no topo do bolo.

Já agora permite-me a provocação: o que é que falta para termos uma produtora nos quadros da Monster Jinx?

Excelente pergunta. Há uns meses fiz uma pergunta aberta no Twitter para produtoras/DJs “levantarem” o braço. Com muita pena minha, não tive grandes respostas. Conheço poucas produtoras/DJs dentro do nosso espectro, mas quero acreditar que estão aí, à espera do timing certo para aparecerem e partirem tudo. Respondendo-te directamente: não temos uma produtora nos quadros porque ainda não conhecemos nenhuma que estivesse no nosso espectro. Aqui, como de costume, o que interessa é se és “fresco” ou não — o género está totalmente fora da equação.

Não é o primeiro lançamento do Maria com o selo da Monster Jinx, mas é a primeira vez que entra na saga Roxo — e logo com dois beats. Aproveitando a deixa: o que é que o David tem que te captou a atenção? E de que forma é que ele encaixa no roster da Jinx?

O Maria é, possivelmente, um dos produtores mais activos que eu conheço (mais uma vez, no nosso espectro). Ele tem uma capacidade de instalar uma vertente musical nos beats que, para mim, é quase ímpar aqui. Quando me apresentaram a música dele, gostei. Quando falei com ele pessoalmente, gostei ainda mais porque estava muito alinhado como o que nós somos: Independentes. É uma aposta mais do que ganha e tem o seu assento à mesa da Jinx completamente tomado. Temos novidades dele muito para muito em breve e acredito que vão gostar.

Em 2018, a editora comemora o seu 10º aniversário. O que é que estão a preparar para os próximos meses?

Vai ser um ano longo. Temos festas, festivais, lançamentos, beats, tracks, comunidade, cenas roxas, etc. Bem, mas isso são todos os anos, não são? Novidades brevemente. Abrimos a festa com esta ROXO 04 (e já temos a Purple Hazin de Fevereiro a contar para este ano também) e mais se vai seguir.