O Rimas e Batidas junta-se à celebração dos 30 anos da estreia dos Beastie Boys

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O título é elucidativo do que irá acontecer a partir de hoje e que terá continuação durante a próxima semana: o Rimas e Batidas irá celebrar o trigésimo aniversário de Licensed To Ill dos Beastie Boys , o trabalho de estreia do histórico trio nova-iorquino que quebrou barreiras culturais, étnicas e de som.

Para nos ajudar a explicar a relevância de MCA, Ad-Rock e Mike D e, mais concretamente, da obra que inaugurou o seu catálogo, o ReB esteve à conversa com pessoas de diferentes afazeres, recolhendo depoimentos que demonstram a abrangência que os Beasties conquistaram desde o primeiro dia. Os rapazes de “No Sleep ‘Til Brroklyn” alcançaram um público nunca antes conseguido pela cultura hip hop e criaram uma discografia sólida (8 álbuns de 1986 a 2011) e importante para percebermos a evolução do género.

Uma das canções mais celebradas do universo hip hop será “(You Gotta) Fight For Your Right (To Party)” – incluída em Licensed To Ill – e João Pedro da Costa, responsável por Sons e Visões, história videomusical publicada no ReB e agora transformada em livro, escreveu sobre o vídeo que acompanhava a música:

“A omnipresença da palavra “rock” nos títulos de alguns dos primeiros grandes sucessos do hip hop (“Planet Rock”, “Rock It”, “Rock Box”, “King of Rock”, “The Haunted House of Rock”, “Rock The Bells”, etc.) acabaria por ter um efeito secundário porventura não previsto pelos seus primeiros apóstolos: em breve, não seria apenas a comunidade negra a apregoar o movimento como um novíssimo evangelho, mas toda uma geração interracial a utilizar alguns dos seus pilares (com destaque para o rap) como um instrumento para tornar mais contemporânea e urbana uma gama cada vez mais ampla de géneros musicais. O hip hop preparava-se para passar, num ápice, de substrato para superstrato musical.

Rick Rubin, que já tinha mexido os cordelinhos para juntar os Run-DMC aos Aerosmith em “Walk This Way”, foi o responsável pelo primeiro momento decisivo de uma vaga de apropriação cultural do hip hop com o lançamento, em 1986, de um álbum rap da autoria de três jovens que, para além da tez clara, eram punks e judeus. Licensed To Ill dos Beastie Boysnão apenas abriria as portas a rappers brancos que queriam ser levados a sério, mas também a qualquer MC que, independentemente da sua etnia, estava resoluto a desenvolver uma genuína carreira artística.

Apesar de a videografia musical dos Beastie Boys vir a incluir no futuro clipes bem mais admiráveis (como o do incontornável “Sabotage”), nenhum lograria obter a importância histórica do de “Fight For Your Right”. De forma a capitalizar o inesperado sucesso do tema em algumas estações de rádio das grandes metrópoles da costa leste, a MTV lançou um ultimato àDef Jam para entregar, no prazo de duas semanas, um vídeo para passar em alta-rotação na playlist do canal. Céptico da eficácia das fórmulas rígidas utilizadas pelos realizadores de spots publicitários, Rick Rubin decidiu entregar a tarefa a Rick Menello, um cinéfilo sem qualquer experiência atrás das câmaras, e a Adam Dubin, o seu companheiro de quarto acabadinho de sair do curso de cinema da NYU. Com um orçamento de 20 mil dólares e apenas dois dias para gravar, uma equipa de produção amadora acabaria por assentar arreais num apartamento emprestado no coração de Manhattan, incluindo figurantes que mais não eram do que amigos da banda e da Def Jam e ainda alguns quadros da própria MTV chamados à última hora para encher o ecrã.

Originalmente idealizada como uma crítica feroz, a ironia da empreitada acabaria por ser triturada pela gigantesca máquina promocional da MTV para se transformar num genuíno hino à destilação mais foleira do hedonismo dos eighties. O conceito era simples e passível de ser traduzido numa única frase: um serão de nerds é subitamente invadido por penetras (os próprios Beastie Boys e uma trupe de metaleiros) que armam uma grande barraca, cujo corolário é uma luta épica de tortas com creme digna dos Três Estarolas. Apesar de “Fight For Your Right” ser também um genuíno party anthem, há muito pouco em comum entre o seu vídeo e o de “Planet Rock”: não se vislumbra aqui o mais pequeno vestígio de breakdance,beatbox, turntablism ou de qualquer outro elemento típico da cultura hip hop e a coisa mais parece a mais recente oferta de uma das bandas de heavy metal que começavam a invadir a MTV. Esta pequena narrativa suburbana protagonizada por três caucasianos que misturava, de forma caricata e caricatural, um conjunto díspar de influências (que ia do cinema mudo ao vernáculo típico do porno VHS), acabaria por se revelar extremamente eficaz e colocaria em velocidade de cruzeiro a viagem do hip hop rumo à supremacia da televisão musical.

Cerca de um quarto de século depois, os Beastie Boys encerariam a sua carreira com uma média-metragem videomusical (realizada pelo próprio Adam Yauch) intitulada “Fight For Your Right Revisited”, desta vez com um impressionante elenco repleto de estrelas de Hollywood. Se a ironia do vídeo original (que procurava criticar a mentalidade machista dos fratboys) foi um tiro que lhes saiu de forma inapelável pela culatra, o mesmo se poderá dizer do sarcasmo simultaneamente protagonizado e apontado ao star system da sequela. Talvez resida aí a mais suprema das ironias: que uma das carreiras musicais que mais contribuiu para o enriquecimento do léxico do hip hop seja delimitada por dois clipes que pouco ou nada acrescentam ao seu fascinante legado visual.”

Como uma celebração nunca está completa sem, pelo menos, uma prenda – ou várias -, o ReB vai sortear cinco vinis de Licensed To Ill, a reedição que está disponível para compra a partir de hoje. O desafio: se tu fosses o quarto membro dos Beastie Boys, qual seria o teu nome? Não esquecer que o trio original respondia aos nomes artísticos de King Ad-Rock, Mike D e MCA. Escolhe o teu Beastie Name, partilha o post e identifica dois amigos. As respostas que conseguirem mais likes serão premiadas com um exemplar desta reedição especial em vinil.

 


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