Nova colectânea de vaporwave na Dream Catalogue

[TEXTO] Diogo Pereira [FOTO] Direitos Reservados

Em altura de estreia do novo Blade Runner 2049, urge voltar a falar de vaporwave.

A Dream Catalogue, editora maior do género, conhecida por tê-lo resgatado das suas origens enquanto fenómeno puramente satírico, ampliado as suas possibilidades estéticas e o ter elevado a música digna de atenção, acaba de lançar uma intrigante e ambiciosa compilação de quatro volumes que promete agitar as águas da electrónica contemporânea.

 



De acordo com o site oficial da casa que instala sonhos nos nossos cérebros desde 2814, fundada por David Russo (aka HKE) e actualmente gerida por Danaseus e Mykena a partir de Londres, esta nova colectânea, intitulada THE DIVINE CHAOS, descrita como “um compêndio de música do novo underground digital”, convida-nos a “abrir a mente a um novo nirvana”, e consiste em 141 faixas organizadas em quatro volumes, lançados diariamente entre 5 e 8 de Outubro: CHAOS 1: NIRVANA IS LEAKING INTO THE MAINFRAME, CHAOS 2: A GOLDEN HALO UNDERGROUND, CHAOS 3: THE LAYERS OF OUR DREAMS INTERWOVEN e CHAOS 4: WE ARE UNSTOPPABLE.

Como sempre, a música da Dream Catalogue (que inclui nomes mais conhecidos, como HKE e telepath, a par de novos artistas), tal como todo o vaporwave, continua a privilegiar as sensações e os sonhos em detrimento do protagonismo dos artistas e a apostar na mistura de géneros, filosofia patente nos ditames enunciados:

“No restrictive genre dictation. No ostentatious cultural envelopment. No press shots.

No spiritual oblivion.”

O caos divino citado é feito dos mesmos ingredientes sonoros a que nos habituaram: vozes femininas etéreas, batidas downtempo em modo glitch, riffs analógicos, field recordings de sons da Natureza e uma miríade de efeitos, desde phasers a autotune, tudo envolto em cascatas de drone, o som de chuva a cair e muita estática.

 



O imaginário visual também é o mesmo: sonhos encharcados de chuva torrencial, néones cintilantes e vívidos contrastes de cores, retratados nos grafismos e nos títulos dos volumes, que evocam uma mistura de conceitos dos mundos da psicanálise e das tecnologias de informação, numa ode confessa ao cyberpunk.

No entanto, desta vez vai mais longe e oferece-nos uma viagem longa e ecléctica pelo universo da música electrónica, para todos os gostos, incluindo um pouco de cada género, desde o dubstep e o jungle ao ambient e ao drone. São várias horas de electrónica plural e sempre emotiva, para ouvir e sonhar, ou melhor dizendo, ouvir e viajar.

Por isso, no ar fica a questão: sendo uma obra tão ambiciosa, de espectro tão abrangente, ainda estamos perante vaporwave, ou será algo mais?

 


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