Tinha k Ser: Karlon quer lançar 3 álbuns em 2018

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTO] Hélder White

2017 ficou marcado pelos vários concertos e calor humano na recepção de Passaporti. Com a “fome do costume” para estar sempre a criar, Karlon começa 2018 com Tinha k Ser e a promessa de lançar três trabalhos este ano. Este primeiro sai já em Março, se tudo correr bem, e tem muitas participações, principalmente nos instrumentais. Sam The Kid, Stereossauro, Holly, Razat e SP Deville são alguns dos nomes que dão batidas para as rimas em crioulo do rapper.

A capa do LP remete-nos para um lugar destruído, um cenário apocalíptico. Karlon fala de uma “resistência de pessoas que gostam de falar da realidade”, que gostam de falar de “coisas que muita gente não quer ouvir”. Resumindo assim o que vamos poder ouvir neste álbum que está a desenvolver há cerca de um ano e meio e para o qual chamou pessoas com quem se identifica e com quem teve “uma ligação simples, sem burocracias”. “No fundo é malta boa e acho que somos todos resistência à procura de uma verdade, mas também resistência de um grupo de pessoas que gostam de estar sempre a fazer coisas novas e estar em criatividade”, esclarece o rapper.

 


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Olhando para as faixas, que serão pelo menos 13 a contar pelo número de produtores, Karlon não adianta tracklist, mas levanta o véu sobre algumas das temáticas. Desde os problemas mundiais, às músicas de amor, há também a descrição da vida nos bairros da zona de Oeiras. Este último tema aparece nas rimas que partilha com Neuro MC num beat de DatBoy Rm. No instrumental de Sam The Kid escreveu “sobre hip hop” e o facto de sentir que à sua volta tem havido muita “música plástica”. “Há muita gente que começa a fazer hip hop e que não tem um pouco de conhecimento mais profundo sobre a cultura”, observa Karlon. A música vai chamar-se “Hoje é o dia”. Stereossauro faz a cama musical de uma música mais “dark” sobre Pedreira dos Húngaros, local onde cresceu Karlon. O rapper diz que é como “o lado oposto” da música “Mais um dia de sol” do álbum Nha Momentu, lançado em 2012. Aliás, este Tinha k Ser é, mesmo em termos de sonoridade, “como se fosse o terceiro capítulo depois de Nha Momentu e Meskalina“, descreve.

Já lançado para outros voos, Karlon confessa que este trabalho “não é uma coisa de parar e ‘olha, vou fazer um álbum'” e que é por isso que lhe pôs o nome Tinha k Ser. Quase pronto para ver a luz do dia está o álbum que tem vindo a preparar com Razat, Tardígrado. Além desse, promete no final do ano ter cá fora a continuação de Passaporti. O rapper continuou a vasculhar ao pormenor as suas raízes e dá a novidade de que o novo trabalho tem a participação de Sara Tavares. A produção no novo álbum sobre Cabo Verde está agora a seu cargo. De Charlie Beats, que produziu o primeiro álbum, estão só algumas “que escaparam do Passaporti” e que não gravou “porque não estava preparado em termos de conteúdo, da pesquisa que fiz”. “Já gravei uma malha do Ildo Lobo porque senti mais confiança agora”, noticia Karlon.

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos