Ikopongo: “Em Angola o rap tem mais força do que a oposição”

[ENTREVISTA] Ricardo Farinha [FOTOS] Sebastião Santana

Conheci o Luaty Beirão em 2014, precisamente na última vez que esteve em Portugal antes de ser preso com outros 16 activistas por associação de malfeitores e tentativa de golpe de estado em Angola, e de ter feito uma greve de fome que durou 36 dias — um por cada ano de José Eduardo dos Santos no poder.

O activista-rapper, que assina como Ikonoklasta na música, regressou a Portugal no fim de Novembro para lançar um livro, “Sou Eu Mais Livre, Então”, um diário de prisão, e fazer o primeiro concerto de Ikopongo — projecto que o une a MCK, amigo de longa data e um dos maiores MCs da “banda”.

Pouco mudou nestes dois anos, tirando a sua exposição mediática. O “filho do regime”, que se tornou o “kamikaze angolano” que tinha profetizado anos antes, é hoje um dos maiores símbolos na luta contra o regime em Angola. Regime que tantas vezes o tentou sabotar: esteve preso, foi espancado, foi colocada cocaína na sua bagagem de avião, a sua mulher foi ameaçada, foi impedido de dar concertos e viajar.

Nesta entrevista conjunta aos Ikopongo — com uma ajuda inicial de Nel’Assassin, que tocou com a dupla no Musicbox, a 3 de Dezembro —, falámos sobre as ligações entre rap, política e Angola.



Para a vossa estreia ao vivo como Ikopongo, em Lisboa, juntaram-se ao DJ Nel’Assassin. Vocês já se conheciam pessoalmente? Tinham trabalhado juntos?

Nel’Assassin — Eu e o MCK, sim. Trabalhámos em estúdio e live. Com o Ikonoklasta, o que é que fizemos?

Ikonoklasta — Não me lembro se já fizemos alguma cena assim tão íntima, mas já nos conhecíamos.

MCK — Muito por causa da estrada radiofónica. O Luaty fazia um programa de rádio, e tocava a música dos Micro na altura.

Ikonoklasta — Depois tive uma temporada também aqui com o [José] Mariño, no Repto [Antena 3]. Eu acho que na altura ele já estava à procura de alguém para passar o testemunho, só que eu acabei por não ficar a viver em Portugal. Mas fizemos uns programas juntos, eu aparvalhava um pouco. Nessa altura conheci a música do pessoal que fazia hip hop cá: Micro, Dealema…

Nel’Assassin — A sério? Ia, caraças. Fizeste o Repto?

Ikonoklasta — Sim, uma temporada com o Mariño.

MCK — E a minha relação com o Nel… é a quarta vez que trabalhamos juntos. Ele entrou no meu último disco.

Certo, e por isso é que também fez sentido chamarem o Nel’Assassin agora que vinham actuar cá.

Ikonoklasta — Para além de fazermos música mais ou menos aos mesmos anos, temos uma espécie de matriz identitária — ou aquilo que nos faz gostar do hip hop, para além dos beats pesados e das rimas —, uma componente política que é um pouco deixada de parte pela maioria das pessoas. Eu via nalguns vídeos dele — o cartaz do Promoe, mambos de Dead Prez — “esse brother gosta de assuntos políticos”. E, depois de ter trabalhado com o MCK, foi lógico, o primeiro nome que nos ocorreu. Temos a mesma educação musical.

Nel’Assassin — Exactamente, é a mesma linha. Eu acho que o people da nossa geração tem as mesmas referências, identifica-se muito mais uns com os outros do que hoje em dia. Não estou a tirar mérito a ninguém e acho fixes algumas coisas que saem…

Talvez porque também eram menos na altura…

Nel’Assassin — Ya, são diferentes situações e motivos. Mas sem dúvida que vivemos um bocado a mesma cena. Não tenho as mesmas balls que eles têm, mas tudo o que faço tem mensagem. Mesmo que seja uma rotina de scratch aquilo é estudado, tem de ter sumo e conteúdo.

Em relação a vocês, Ikonoklasta e MCK, já falavam há vários anos de trabalharem em conjunto, e chegaram a anunciar um álbum em 2012, mas não chegaram a gravar nada, certo?

Ikonoklasta — Nem uma música.

MCK — Nós queríamos fazer um disco, mas depois ficámos um bocadinho desencontrados a nível de agendas. Naquela fase acho que o Luaty colocou um stop na carreira musical, esteve mais ligado ao activismo. Agora com este projecto, em que nos juntámos pura e simplesmente para fazer um concerto, se calhar as barreiras, restrições e a repressão política de Angola vão-nos obrigar a fazer um disco. Assim sem data, sem compromisso. Mas acho que é um caminho que se avizinha.

E em Angola, a ideia era fazerem o concerto com banda?

Ikonoklasta — Chegámos a fazer, só que fizemos contornando todos os obstáculos institucionais. Fizemos num sítio pequeno, sem público, transmitido na Internet. Aquilo que vocês viram no streaming — cheio de cortes porque a nossa Internet é lastimável — era o que queríamos fazer numa sala. Aqueles gajos são mesmo parvos, porque ia ser uma sala que levava no máximo 500 pessoas, e eles barraram. Depois fomos para outra que podia levar mil, barraram. Fomos online, e foram mais de 6 mil views, portanto…

MCK — A repercussão foi muito maior do que as nossas expectativas. É uma banda de dois artistas locais — os Jazzmatic, que são rappers também —, adicionando ao Pedro Coquenão, de Batida.

Em relação às restrições dos tais concertos, eram a que nível? Informavam-vos antes, chegavam lá e estavam as portas barradas?

MCK — No primeiro espaço, que era o Chá de Caxinde, tínhamos um acordo verbal — que tem igualmente valor jurídico em Angola —, e duas semanas antes do evento, eles desistiram do acordo, e os argumentos que ofereceram foram os mesmos de sempre, que é “ordem superior”. E “ordem superior” não é lei em Angola. Na segunda sala, foi pior. Porque fechámos o contrato, houve o pagamento, e um dia antes eles disseram que a polícia e o serviço de inteligência esteve na sala e retirou a licença de realização de shows. Acho que aqui é muito mais grave, porque intervém directamente um elemento do estado angolano, a polícia nacional, a proporcionar esse cancelamento sem qualquer rescaldo jurídico legal. Tanto para um como para outro, queremos esgotar todos os recursos para dar início a um processo judicial.

 


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E já estavam à espera deste tipo de obstáculos aos concertos?

MCK — Não que estivéssemos à espera, mas, tendo consciência da realidade angolana, para todos os nossos espectáculos temos um plano A, B, C e D [risos].

E a Internet era o plano D?

MCK — Na verdade, o plano D era fazer num espaço a que chamamos de Consulado, que tem um cunho político partidário. É uma sala de festas e de conferências, mas pertence ao maior partido da oposição [UNITA]. Como sempre, tivemos a preocupação de não associar a nossa música a qualquer partido político, optámos por salas mais neutras. E mais centrais, com alguma tradição. Mas tínhamos noção de que teríamos alguma dificuldade e não seria um espectáculo fácil.

Luaty, o livro que lançaste agora inclui várias letras de músicas. A ideia é que alguma vez sejam gravadas, ou não tens esse objectivo?

Ikonoklasta — Sim, eventualmente. Escrevi-as, há arestas por limar, frases por acabar… Eu sou muito — não é indisciplinado nem irresponsável —, mas desleixado, em relação à música. Posso ter um momento de epifania e quero escrever e gravar. Às vezes sobretudo quero escrever, tenho frases que quero pôr no papel. E ficam aí, um dia gravo. Outras vezes é “hei, este beat, foda-se, tenho de fazer qualquer coisa aqui, está-me a inspirar”, e [a partir de] aí escrevo. É mais fácil para mim. Porque aí já tenho o beat e a noção rítmica do que quero. Tenho algum desleixo nessa parte, mas eventualmente hão de ser gravadas. E no outro caderno que ficou retido [na prisão] tinha outras letras também. Vamos ver, se [estas] se tornam alguma coisa, nem que seja um EP.

Pensando um pouco no teu passado, as pessoas e os media têm-te rotulado como “filho do regime”, como já sei que te assumes, e, à medida que foste crescendo — estávamos a falar do hip hop e da mensagem de intervenção —, também foi o hip hop que te deu mais consciência do que estava mal ou bem no teu país? Ou não foi assim tão relevante porque bastava ires à rua para perceberes isso?

Ikonoklasta — O hip hop foi crucial e fundamental no meu despertar e na minha tomada de consciência. É incontornável e nunca vou poder omitir o hip hop como a grande plataforma que me fez compreender o mundo. Olhar o meu meio, à minha volta, e perceber aquilo que eu já via tantas vezes, essa realidade de que falas, que é tão flagrante que se torna habitual e tu ficas “é o que está, o nosso cenário é esse”. Mas a preocupação de perceber os fenómenos foi despoletada em grande parte — mais de 90% — pelo hip hop. Está no centro daquilo que sou hoje. E [em relação a ser] “filho do regime”, não me incomoda o rótulo, porque sou. Nasci aí, o meu pai era do regime, a minha família era toda do MPLA — os que tinham cartão, os outros eram só simpatizantes — mas nascemos num país onde toda a sociedade está partidarizada, querendo ou não.

O que é que falta ao povo angolano para tomar consciência e querer mudar as coisas?

Ikonoklasta — A consciência existe, o querer mudar… há um obstáculo que se chama medo. É uma palavra muito simples e curta, mas muito poderosa. E tem sido usada de forma muito eficaz pelo regime para dissuadir as pessoas de exercitarem a sua tomada de consciência — porque a consciência já está lá. É fácil, meu. Não tens comida. O outro está com um jipe que vale 100 mil dólares. Por mais analfabeta que a pessoa seja, é uma ligação fácil de se fazer. “Poder popular, o MPLA é o povo”… É fácil! Também faltam alguns elementos na consciência e, quando isso acontecer e o medo desaparecer, aquele país acabou. Que é as pessoas perceberem que a soberania reside nelas. As pessoas pensam “eu sozinho faço o quê”, mas eles são soberanos. E quando as pessoas se aperceberem disso, e que aqueles que estão no poder são nossos empregados, acabou. Aquela brincadeira acabou, porque ninguém vai tolerar mais chapadas da polícia e prisões. Falta esse pequeno passinho, e eu sinto que estamos muito mais próximos do que estávamos há dois, três, quatro anos.

E achas que vocês — e tu especialmente, tendo sido o teu caso muito mediatizado —, além dos outros activistas, contribuíram muito para isso?

Ikonoklasta — Acho que as pessoas que viram de fora o caso podem avaliar melhor isso. Eu acho que sim, mas não sei com que dimensão.

MCK — Angola nunca esteve, durante muito tempo, na imprensa internacional, mesmo quando teve razões melhores para isso. O problema dos 15+2 [activistas] fez com que Angola tivesse mais de um ano na imprensa estrangeira. Mais do que isso, ajudou a expôr a grande fragilidade do regime angolano. No meu ponto de vista, são a maior força que exerceu pressão para que José Eduardo hoje, livremente, aceite fazer o que tem que fazer [sair do poder]. Foram os activistas que levantaram essa conversa e a tornaram pública, um assunto de todos os angolanos: a discussão da longevidade do presidente da república. Por outro lado, ajudaram a expôr as fragilidades do nosso sistema judicial — repara bem na trajectória do caso deles: começaram indiciados pelo crime de associação de malfeitores, depois era golpe de estado, depois actos de desobediência… Aquela trajectória toda ajudou a expôr o nosso regime, a mostrar que não existe efectiva separação entre o poder judicial, executivo e legislativo. O desfecho do caso também mostrou que os juízes não são independentes nas suas decisões, que recebem ordens… Foi muito bom porque estimulou as pessoas que olhavam para este grupo de forma diferente. Eles eram rotulados como “arruaceiros”, “miúdos frustrados”, “sem êxitos académicos”, e sofreram uma promoção gratuita muito forte. Viram que afinal existem lá professores universitários, pessoas formadas, funcionários públicos… acho que, independentemente [de tudo], eles saíram maiores da cadeia. Qualquer um dos gajos hoje são popstars [risos]. Foi um sacrifício bom.

 


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Como estavas a dizer, José Eduardo dos Santos anunciou recentemente que vai deixar a presidência da república em 2017 e nomeou como sucessor o ministro da defesa, João Lourenço. É apenas a mudança da figura do regime ou é algo mais progressista do que isso?

Ikonoklasta — É interessante como essa pergunta é colocada, porque sugere que o João Lourenço o vai substituir na presidência da república. Ou seja, estás a sugerir que vai ser presidente amanhã, ou só depois das eleições?  Estamos todos com esse discurso, porque mesmo nós, que vivemos lá, caímos nessa armadilha de dizer que o João Lourenço vai ser o próximo presidente da república. Porque já estamos a considerar que o MPLA vai ganhar as eleições. E consideramos porquê? Porque o MPLA não concorre… aquilo não é uma corrida. É um cenário, um teatro criado. E já está a ser criado de novo. Infelizmente, o João Lourenço não vai concorrer a presidente da república. Vai substituir o José Eduardo dos Santos. Isto se for o João Lourenço… O Zé Eduardo é uma pessoa muito matreira e eu não sei se ele vai deixar… se calhar vai só deixá-lo aumentar o ego, e, no fim, arranjar um processo qualquer para dizer que afinal não pode ser candidato, e enfiar à última da hora um dos filhos. Porque não só o José Eduardo não confia na própria sombra — e a única forma que ele tem para assegurar a sua posterioridade é se forem familiares directos a mandar no país — como o João Lourenço é uma pessoa que ele já fez passar pelas passas do Algarve. Duvidando e tendo medo de toda a gente, ele vai confiar numa pessoa que já tratou mal? Eu duvido, o Zé Eduardo é mais astuto do que isso.

MCK — Está a substituir alguém que está há 37 anos no poder, o que não é concebível num país democrático. Ou estamos a falar de uma monarquia ou de uma ditadura. Se a sucessão do presidente da república criasse dentro do MPLA a possibilidade de as pessoas concorrerem para o cargo… Porque o José Eduardo também já vai indicado. As democracias não indicam. Manifestam abertura de concorrência interna para o mais capaz, o mais competente, ser votado e eleito democraticamente. Aquilo de que Angola precisa, no meu ponto de vista, é alternância governativa.

Não tendo noção da indústria da música angolana, vocês acham que a música mais politizada é censurada e reprimida pela sociedade, além do regime?

MCK — Por jornalistas, promotores de eventos… Eu em parte entendo. Por exemplo, depois dos concertos de Ikopongo, de duas tentativas falhadas, tive mais dois concertos [a solo] cancelados. Acredito que aquele promotor vai pensar duas vezes, ele perdeu dinheiro. Os promotores têm a dualidade entre a arte e a parte comercial. A vida em Angola é muito cara, os custos de realização de espectáculos são muito altos. Essa vontade de arriscar — e por causa da atmosfera de medo — vai ser cada vez mais reduzida.

Acham que o hip hop tem mesmo força política em Angola? 

MCK — Eu tenho dito que o rap em Angola tem mais força do que a oposição. Mas é um nicho de rappers políticos, e esse movimento de mudança, mesmo o pessoal dos activistas cívicos, quando não são rappers, são [parte de uma] geração hip hop, foram muito influenciados pela mensagem do rap.

Ikonoklasta — Numa das vezes que fui detido, daquelas mais temporárias, acho que foi no 7 de Março de 2011 [uma das maiores manifestações contra o regime], fui levado para uma esquadra e lá houve um polícia que se levantou, sentou-se ao meu lado, e começou a interpretar as minhas rimas. “Eu cresci a ouvir os teus mambos. Curto bué a tua cena. O que é que se passa, porque é que estás aqui?” Agora, desta vez que fui preso, o escrivão do procurador era rapper. Eu pensei: “Bué fixe ver as pessoas chegarem a esses postos, ocuparem esses lugares na sociedade”. E há um que é juiz.

MCK — Agora a geração de juristas, bancários, professores universitários, boa parte deles são da nossa faixa etária. Cresceram a ouvir as mesmas coisas que nós: Gabriel o Pensador, Racionais MC’s, Valete, Dealema…

Ikonoklasta — Felizmente. E aí tu sentes que aquilo que tu fizeste durante tantos anos não era assim tão inconsequente. Pelo menos, formou minimamente ou deu algumas referências às pessoas — não é que elas se vão comportar bem, não é que não sejam corruptas ou que não falhem — mas pelo menos têm esse elemento presente. Essa é uma sensação que me deixa muito grato.

MCK — É uma sensação de poder. Estamos com mais poder.

 



Quando foste preso, juntamente com os outros activistas, sentiste-te desiludido com o regime, achavas que as coisas já estavam a melhorar o suficiente para não acontecerem casos como este?

Ikonoklasta — Nunca estive iludido de que estava melhor. Nem posso dizer que fiquei propriamente surpreendido com aquela detenção porque já vimos tantos casos serem levantados e inventados contra outros cidadãos, simplesmente por pensarem de maneira diferente. Não é inédito. Ainda agora estão outros 37 cidadãos a serem julgados por golpe de estado. E quando entramos nesta vida, estamos preparados para a prisão ou para a morte. E não digo isto de uma forma muito dramática, porque morrer ali é muito fácil. Basta ver as estatísticas do ano passado, das pessoas que morreram de febre amarela, ou por falta de luvas, seringas ou soro… morrer ali é banal. Portanto, morrer por uma causa é o maior orgulho que se pode ter.

Desde que chegaste a Lisboa para lançares o livro e dares o concerto, deste muitas entrevistas e tens tido uma enorme repercussão nos media. Ficaste surpreendido com o impacto que o teu caso teve em Portugal e na imprensa internacional?

Ikonoklasta — Fiquei na altura, quando fui para o hospital e tive contacto com a imprensa internacional. “Porra, esta merda chegou até aí, o barulho está nesse nível?!” Nunca esperei. Tenho pena que os nossos dirigentes sejam tão burros porque a burrice deles pôs-nos num nível… há dois anos quando falava, não pensava que podia chegar até aí. O nosso trabalho enquanto activistas, para chegarmos ao ponto onde estamos hoje, iriam ser muitos anos a fazer esse discurso chegar às pessoas. Eles deram-nos um empurrão. E tinha noção de que a atenção que o caso teve foi em boa parte por causa da minha pessoa, por ser um cidadão com dupla nacionalidade. E há um factor que, por tabu ou pruridos, nunca é citado: o factor cor.

Achas que sim?

Ikonoklasta — Acho que conta, infelizmente. Não sei a que proporção, e até prefiro focar-me no caso, no processo, na situação de greve, [no facto] de ser um artista, de ter dupla nacionalidade, mas não podemos descurar isso. Porque é um assunto que temos de discutir. Enquanto fingirmos que não existe, vamos adiar o problema. Esse tipo de discriminação existe, e neste caso foi útil porque chamou atenção sobre o caso, mas é desagradável saber que boa parte da atenção pode ter sido derivada disso.

Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
Ricardo Farinha