IAMDDB: A ascensão da sereia louca

[TEXTO] Rui Correia [FOTO] Direitos Reservados

“It’s #mermaidseason”! A frase, que surgiu de uma brincadeira, abre “Leaned Out”, tema que levou IAMDDB, praticamente no início de carreira, ao primeiro reconhecimento de maiores dimensões (deram-lhe destaque em várias estações de rádio como a BBC 1 Radio, BBC 1xtra e Capital FM). A sereia louca de Manchester cresce musicalmente nos ouvidos do mundo, fundindo num equilíbrio entre materialismo e espiritualidade. A arrebatadora artista multifacetada – cantora, rapper e produtora, que tem origens portuguesa e angolana (como é hábito em 2017, a confirmação vem de um tweet seu) – está bem colocada nas casas de apostas para as novas estrelas musicais britânicas. E floresce numa era muito promissora em terras de sua majestade, de onde sobressaem artistas como Jorja Smith, Nadia Rose, RAY BLK ou Flohio.

Para descortinar o percurso da artista, o melhor é começarmos pelo nome. “DDB” é, simplesmente, abreviatura para o seu nome Diana de Brito, enquanto “I am” é a sua forma de cultivar a emancipação e o empoderamento pessoal. “Keep it G” e “IAMDDB” são dois termos repetidos em várias das suas músicas e que revelam essa sua vontade, primeiro, de se afirmar num meio ainda maioritariamente habitado pelos homens e, segundo, de se mostrar confiante daquilo que é.

 



O oculto e o banal dão as mãos na trilogia de EPs lançados até à data. Waeveybby Volume 1 – um dos melhores registos ouvidos em 2016 – , Vibe, Volume 2. e Hoodrich Vol.3 foram a introdução à sua aguerrida entrega de sentimentos, servidos e sustentados pelos chefs do underground britânico em doses saudáveis de neo-soul, r&b e trap, géneros que são misturados para criar o “urban jazz”, termo com que a artista gosta de catalogar o seu estilo alternativo.

A versatilidade e a capacidade de sedução das músicas são instintivamente ritmadas pelo quotidiano de IAMDDB. Falamos de um processo criativo também moldado pelas aprendizagens adquiridas numa escola de artes performativas que frequentou durante o secundário e pelas vivências posteriores na viagem que fez a Angola, país onde passou seis meses, e que lhe permitiram aproximar-se do jazz através do seu pai, que, para além de ser músico, é também engenheiro de som.

A receita resultante desta diversidade tem tido um efeito exponencial positivo na sua curta carreira. São prova disso os pedidos de participações por parte do colectivo de rap The Mouse Outfit, oriundo de Manchester, ou do artista holandês de drum’n’ bass Lenzman; a curadoria do canal alemão COLORS, que a escolheu para a apresentação ao vivo (tornada viral) do tema “Pause“; o lançamento do tema “Shade“, que se tornou oficialmente o seu primeiro banger de club com a citação “Uber, Uber everywhere” e que mereceu do produtor CHIMPO um remix com uma costela grime old school, como o próprio indica; e, por último, a VEVO, que a incluiu numa lista de 20 artistas a não perder de vista em 2018 (20 dscvr Artists To Watch for 2018).

Apesar de ainda sabermos poucos sobre as suas origens, é certo que IAMDDB estará a par da rica e vasta gastronomia nacional. Não é por acaso que mencionou, numa breve entrevista para a Radar Radio, que se tivesse de comer uma única coisa para o resto da vida seria bacalhau com natas. Encerramos o texto com um conselho à produção do Vodafone Mexefest: sirvam-lhe essa delícia portuguesa. Os resultados serão, certamente, proveitosos…

 


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