Holly x Landz // HollyLandz

review hollylandz 2

[TEXTO] Moisés Regalado

Se hoje quase todos lhe reconhecem o nome, o mérito é inteiramente seu. Fundamental para a crescente visibilidade do rap crioulo junto dos ouvintes mais jovens, também foi dos primeiros a mergulhar no trap e a servir-se dessas bases para rimar na língua cabo-verdiana. Estabelecido desde há vários anos como referência do underground português, sucedem-se os motivos para tirar o chapéu diante de Landim.

Tudo se torna mais bonito quando, sem deixar de olhar para a frente, se enaltecem os actores passados, alicerces fundamentais do que se tenta construir, como fez o MC na faixa inaugural do seu novo manifesto. “Real Dimás”, primeiro avanço do EP, agradece a Ghoya, Praga, Halloween (convidado deste HollyLandz) e Primero G, mas também a todos aqueles que foram ícones ou pioneiros do estilo que Landim carrega na voz e na ponta da caneta. E rapidamente se percebe que o som de Holly, um dos mais vanguardistas (e internacionais) produtores nacionais, serve que nem uma luva aos relatos do street rapper.

 



Ouçam-se temas como “Essencial”, com rara participação da Bruxa (em alto nível, sublinhe-se), ou “M.M.”, que junta vários artistas da zona, incluindo o incontornável Bispo — muito provavelmente, dois dos melhores instrumentais que o movimento viu nascer em 2018. O à-vontade e a aparente clarividência com que o discurso de Landim se desenrola, não só nesses beats, cimentam as qualidades técnicas que sempre evidenciou, sem que para isso importem particularmente a presença ou ausência de samples, a estética ou as batidas por minuto.

Do rap, trap e boom bap ao drill e ao cloud, não há terreno que Holly ou Landz considerem pantanoso, numa prova de talento que poucos conseguem prestar de forma continuada, resistindo à passagem e às provações do tempo. Os restantes convidados, afastados do mediatismo que polvilha a badalada cultura, ajudam a destacar a mensagem que Landim propaga e que HollyLandz reforça. Al-x, BTG, Singa e Double Face abraçaram o projecto com toda a sinceridade e dedicação essenciais num bom verso de rap, sem que o capítulo das participações guarde qualquer desilusão.

Mais do que um disco de “mil homenagens”, como diz o protagonista no belíssimo interlúdio a que chamou “Alfa”, HollyLandz é uma dupla vencedora, sem espaço para a “Frustraçon” escrita e cantada pelo talento de Mem Martins. A ambição aqui expressa, mesmo que involuntariamente, invoca o oposto e leva a que a expectativa se instale. Ao conceito, falta-lhe só respirar para crescer, havendo apenas um caminho que assim conduza: subir novo degrau, formalizar o álbum de estreia e carimbar, definitivamente, o nome “HollyLandz”.

 


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