Ho99o9: afinal, somos punks ou não?

[TEXTO] Diogo Santos [FOTO] Direitos Reservados

Ainda há quem gaste o precioso tempo a encapsular a arte. A colocar-lhe rótulos e a fechá-la numa espécie de casulo de onde nada poderá sair. E, pior, onde nada poderá entrar. E os Ho9909 – diz que se lê Horror – também passaram por essa guarda de honra. Será que é…? Não, não é hip hop. Então é…? Não, também não é punk. “Somos um banda experimental. Na realidade, não gostamos nem queremos enfiarmo-nos numa caixa. Quando vamos fazer música, não pensamos ‘Oh, vamos lá fazer um beat de trap’. Se acharmos que o beat é altamente, se conseguirmos colocar um rap em cima e gritar, então vamos fazer barulho”, explicou TheOGM, ou Jean, à magazine online da Red Bull.

Desse bastião português que é Newark para o mundo, Eaddy, ou Yetti999, e Jean conheceram-se em caves, enquanto assistiam a concertos e festas de punk. Foram promotores e organizadores de espectáculos até decidirem experimentar com o hip hop, o noise, o hardcore, o punk. A coisa fez faísca na costa Este dos Estados Unidos da América e, em 2014, a dupla mudou-se para Los Angeles. De então para cá, dois EPs, uma mixtape e um longa-duração editado já em 2017. Fizeram fama com as actuações ao vivo onde costumam contar com o baterista de Black Flag, Branson Pertzborn. Tem vezes em que entram em modo sabotagem até serem expulsos do palco. Também já iniciaram batalhas com comida e bebida. Há nudez. E mosh que normalmente fica incontrolável…

 



Tomando como ponto de partida os concertos e o álbum de estreia United States of Horror, é facílimo colocar os Ho99o9 junto dos Death Grips. No entanto, ficar por aqui é demasiado curto e injusto. Nas criações de Jean e Eaddy, há Prodigy, Dead Kennedys, The Stooges, Converge, Bad Brains e muito DMX e Bone Thugs-n-Harmony. É esta a prateleira dos Ho99o9. Serão, no contexto muito próprio que vivem lá nos EUA, aquilo a que mais coisa menos coisa se designou chamar de banda de intervenção. Não se encolhem e traçam cenários assustadores de uma América descontrolada, brutal e racista. Aliás, como é perceptível no single “War is Hell”, produzido por Dave Sitek dos TV on The Radio, tema em que os Ho99o9 falam de uma prisão “que pode significar muita coisa; pode ser, de facto, uma prisão, ou uma comunidade, ou um governo, ou uma religião, ou até a casa onde vivemos”, elucidaram em conversa com NME.

Os Ho99o9 são aquilo que eles querem ser. E isso é, na mais pura das interpretações, punk. E é hip hop, daquele que sempre quebrou barreiras, sejam elas quais forem. Então e nós? Somos punks ou não somos punks? Sejamos aquilo que quisermos ser. Mas, pelo sim e pelo não, é acrescentar pomadas e ligaduras na bagagem para o Vodafone Paredes de Coura, onde os Ho99o9 actuam a 17 de Agosto. Um punk prevenido vale por dois.

 


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