Onde está Holly? Na China, e trouxe 7 fotos e uma entrevista para contar a história

[TEXTO/ENTREVISTA] Ricardo Farinha [FOTO] Carlos Correia

Onde está Holly? É a pergunta que cada vez mais se impõe, mesmo que o produtor português não se esconda constantemente em cenários agitados com um gorro vermelho e branco, uma camisola às riscas e um par de óculos redondos. Aos 21 anos, Holly é um dos produtores portugueses mais internacionais do universo ReB: depois de uma digressão pela Austrália e da estreia nos EUA, o artista das Caldas da Rainha fechou o ano de 2016 com uma actuação em Chengdu, na China, na noite de Ano Novo.

Além de ser difícil conhecer o seu paradeiro, ainda mais complicado é acompanhar o trabalho em estúdio deste artista irrequieto. O hiper-pró-activo Holly produz instrumentais em catadupa, que vai disponibilizando em beat tapes informais ou em trabalhos mais consistentes, que tem lançado por várias editoras internacionais.

Além disso, tornou-se um mestre nas colaborações a longa distância, sinal dos tempos de uma geração que cresceu na era digital. Já colaborou com dezenas de artistas de vários continentes. O seu último EP chama-se Palpitations e foi feito a meias com os norte-americanos Twofold. No SoundCloud, Holly tem perto de 40 mil seguidores e a sua música já foi passada em programas de rádio por gente como David Guetta, Steve Aoki, Noisia ou Laidback Luke.

A mais recente viagem de quatro dias à China foi o pretexto para conversarmos mais uma vez com o produtor e publicarmos sete fotografias tiradas em Chengdu, que fica numa zona central do país asiático.

 


De que é gostaste mais na viagem à China?

Bem, eu ainda estou a tentar assimilar todas as experiências e emoções que se passaram nestes últimos dias, sendo que isto ainda sabe um bocado como um daqueles sonhos que temos e que quando acordamos ficamos bem tristes por não ser verdade, só que neste caso foi, e custa a acreditar! A China — e, por aquilo de que me apercebi, toda a Ásia — é um ataque total a todas as sensações humanas. Já estive em alguns sítios neste planeta, mas nunca nenhum me chocou tanto de uma forma tão positiva, a nível de sons, cores, cheiros, texturas, design, pessoas, maneira de olhar e viver a vida, hábitos… entre muitos outros aspectos culturais.

Como apareceu a oportunidade de lá ires actuar?

A oportunidade de tocar lá surgiu através do Loco, que é um promotor [de eventos] de Chengdu, estar à procura de alguém na minha “onda” para ir lá, e acabou por chegar à minha música através de um amigo que temos em comum — o Conrank — e achou que fazia todo o sentido ter-me lá e, ya, a partir de aí foi emails, fazer a mala e siga.

Como é que foi a festa? Tens a sensação de que o público já te conhecia?

A festa era para celebrar a passagem de ano, e, além de ter a parte dos concertos (onde actuei eu, Conrank, Darq E Freaker e um grupo de rap chinês que fiquei super fã chamado Higher Brothers, e mais), tinha também várias instalações de arte de artistas locais. A festa estava praticamente esgotada e o pessoal estava super eufórico, como era de esperar para uma noite de passagem de ano. Quanto a conhecerem-me ou não, acabei por não ter bem a noção disso, porque também não procurei saber. Mas senti bastante love por estar lá, o público é bastante emotivo e só te querem é abraçar, dar beijinhos, fotografar-te e agradecer por visitares a terra deles, por levares um pouco de ti até à cultura deles e fazer o máximo de perguntas que consigam sobre como é a vida no país de onde vens e como são as tuas origens…  indescritível mesmo.

E há algum músico chinês que oiças?

Claro! Howie Lee, Chace e Carta são alguns deles.

Mudaste a tua opinião em relação a alguma coisa na China, apesar de teres lá estado pouco tempo?

Apesar de ter por hábito viajar e ir a novos países sempre sem expectativas ou ideias pré-feitas, tudo aquilo que pensava em relação à China mudou, sem dúvida. Por mais que te digam como é a vida num país ou cultura só consegues mesmo compreender e ter um pouco da noção e conhecimento quando viajas até ele. Pensava que o pessoal era mais frio, aqui em Portugal ainda temos uma grande comunidade de chineses, mas é raro veres um chinês num bar ou a conviver com o teu grupo de amigos. E pensava que por causa disso eram pessoas mais fechadas e reservadas, e isso foi uma das coisas que foi completamente diferente lá. Toda a gente queria era levar-te a spots na cidade, passear contigo, tentar conhecer-te melhor, levar-te a jantar/almoçar aos restaurantes mais fixes, etc., sempre super educados e generosos.

Sei que és uma pessoa de projectos e planos. Como vai ser o teu ano?

Posso ser uma pessoa de projectos e planos, mas falar deles é a pior parte [risos]. Curto que a minha música seja como um filme, se souberes o final já não vai ter piada ires ao cinema vê-lo. Por isso, se quiseres mesmo saber, continua atento, porque vêm novidades em breve.


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“Chengdu de dia!”


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“Alguns dos edifícios espectaculares que a cidade tem.”


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“A comer Hot Pot com o Darq E Freaker feat Moet Chandon”


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Conrank + me! Já nos conhecíamos através da Internet e já fizemos algumas faixas juntos que irão sair brevemente, foi sem dúvida uma experiência brutal conhecê-lo pessoalmente.”


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“Basicamente, toda a crew que fez esta festa tornar-se realidade. Aos meus braços está o Loco, que foi o promotor/organizador da festa.”


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“Um dos vários templos budistas de Chengdu.”


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“Chengdu by night!


Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
Ricardo Farinha