Domi sobre “Não Esqueço”: “É uma nova fase”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

“Não Esqueço” é o novo single de Domi, o primeiro tema depois de assinar pela Universal Music Portugal no final de 2017. Charlie Beats ficou encarregue da produção da faixa — o produtor já tinha trabalhado com o MC em “Segue o Teu Trilho”. O vídeo é realizado por T.Zimmermann.

Henrique Domingues, o verdadeiro nome do rapper algarvio, começou a dar nas vistas em 2015, ano em que lançou “Confins“, e as comparações com Sam The Kid, a sua maior referência, surgiram com “Tempo“, faixa publicada no seu YouTube no ano a seguir.

O início do seu percurso, as comparações com Samuel Mira ou a nova fase com a Universal foram alguns dos assuntos em cima da “mesa” durante a curta conversa por telefone com o artista de Portimão.

 



Quando é que começa a tua ligação com o rap?

A minha ligação com o rap não começou muito cedo. Eu durante a minha infância consumi vários estilos musicais até chegar à minha adolescência e aí continuei a consumir diversos estilos musicais, mas entretanto comprei o meu primeiro álbum de hip hop que foi uma compilação dos GNR em que participaram vários artistas — o Xeg, o NBC — que era o Revistados. E a partir daí comecei a conhecer mais pessoas que também gostavam de hip hop e foi tudo uma bola de neve. Entretanto o meu pai conhecia o pai do Sam The Kid, que era também amigo do meu tio, tive acesso ao álbum Pratica(Mente) logo quando saiu. Isso tudo teve influência para que eu começasse a gostar de hip hop, mas nada muito concreto. Só depois mais tarde é que comecei a escrever.

Em que altura é que passas de consumidor a rapper?

Por volta dos meus 16, 17 anos. Eu já escrevia, mas não fazia hip hop. Escrevia textos para mim, mas entretanto comecei a aplicá-lo, por volta então dos meus 16, 17 anos, até ao dia em que publiquei.

És do Algarve. As tuas primeiras referências são daí?

Não são porque o Algarve ainda não tinha tanta expressão e claramente as minhas referências são mais cá de cima. O Sam The Kid foi mesmo aquela referência. Quando eu comecei a consumir hip hop já havia uma grande variedade dentro do hip hop nacional, já havia muita coisa. Eu consumo muito mais hip hop português porque cresci quando já havia muita coisa, do que consumo o que é lá de fora para aplicar aqui. O Sam The Kid foi claramente a minha maior influência.

Já referenciaste o Sam The Kid duas ou três vezes e é engraçado porque a primeira vez que ouvi falar de ti foi por causa dessas comparações. Isso incomodou-te ou foi um elogio para ti?

Vejo como um elogio, mas ao mesmo tempo sinto que não pode ou que não deve ser assim. É uma coisa boa porque ser comparado a ele é absurdo, é óptimo, mas quero criar a minha própria identidade.

Assinaste pela Universal no final do ano passado. Este single que vai sair é o primeiro lançado pela Universal ou o “Segue o teu trilho” já era?

É o primeiro.

Tens poucos sons ainda lançados na Internet, como é que surge a Universal? Como é que te encontraram?

Ouviram falar do meu nome, tiveram interesse e contactaram-me. Eu já estava com a agora 808, que era a Swag On, agência do Piruka. Entretanto eles contactaram-me e fizemos um acordo.

E o que podemos esperar? Um álbum?

Sim.

Já com data?

Não queria dar muitas certezas ainda.

Mas o novo single vai fazer parte?

Ainda não tenho confirmações sobre isso.

Dos teus singles anteriores para o “Não Esqueço” existe uma mudança clara de direcção. Foi intencional mostrares uma nova “cara” para esta nova fase ou foi algo natural?

Foi natural. Eu comecei a trabalhar com o Charlie Beats e ele influenciou-me de outra forma e mostrou-me outro caminho. Não que eu o tenha assumido porque, apesar de lançar este som agora, tenho outros sons que apontam para outros caminhos. Acho que ainda não me encontrei, não defini a minha identidade, ainda estou muito a explorar aquilo que possa dizer “ok, eu sou isto, é isto mesmo”.

Trabalhaste com o Charlie Beats nos últimos dois singles, como é que foi trabalhar com ele? Vais ter mais músicas produzidas por ele a sair brevemente?

Encontrei o Charlie porque ele veio falar comigo, mostrou interesse em trabalhar comigo. Eu sou do Algarve, mas agora vivo em Lisboa. Mesmo estando lá eu vinha cá ter com ele e criámos uma boa relação que se mantém. Continuo a trabalhar com ele e podemos esperar mais singles dele porque, de momento, só trabalho mesmo com o Charlie.

Fala-nos um pouco sobre o novo single.

A temática é um bocado romântica/melancólica. É algo que expus no papel por ser uma coisa que sinto. Em termos musicais, como disseste é uma nova fase, é algo diferente. Não assumo nada como “ok, é isto que vou fazer”, mas como uma experiência.

Como é que surgiu a canção? O Charlie mostrou-te o beat primeiro?

Sim, estávamos no estúdio, por acaso com o Estraca, e ele mostrou esse beat e eu comecei logo a fazer o refrão. Ficou-nos logo no ouvido e passámos a noite a tentar fazer qualquer coisa. Fizemos uma primeira versão que depois foi trabalhada e chegámos até aqui.

Falaste agora do Estraca, podemos esperar colaborações com outros rappers para breve?

Sim, está na mesa, claro que sim. Mas prefiro não estar a adiantar nomes.