DJ Oder: “O Porto é uma excelente cidade para encontrar discos”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTOS] Direitos Reservados

A arte do DJ tem mudado bastante nos últimos anos e existe uma discussão constante sobre o papel e relevância da actuação/criação dos representantes. DJ Oder mantém a chama viva e é produtor nacional com disseminação internacional através de nomes como Steve Aoki, rádios como a BBC1 e lançamentos por editoras como Technique Recordings, Dim Mak, D&B Arena, Titan Records, System Shock, High Culture, Dope Ammo ou Digital Hardcore Recordings.

Rui Miguel Abreu esteve à conversa com o produtor e DJ com ligações próximas ao drum’n’bass e falou sobre vinil, a cultura do duplate ou as preciosidades da sua colecção. No fundo da entrevista podem também encontrar um mix exclusivo para o Rimas e Batidas.

 


Descreve-nos o teu presente, o que andas a fazer, em que projectos estás envolvido?

Neste momento, estou no estúdio a trabalhar em várias músicas para sair em 2017, tenho um remix e um single pronto para finais de Janeiro a sair na editora britânica Formation Records. Estou também a reactivar o serviço de gravação de vinil da Zona 6 que esteve parado nos últimos anos. Entre estes trabalhos também tenho sempre que dedicar algum tempo para os DJ sets e para o meu programa semanal “Slang” na Radio Meo Music onde tenho oportunidade de mostrar um lado mais musical e abrangente do diverso mundo do drum’n’bass. O “Slang” pode e deve ser ouvido todos os sábados da 1h às 2h!

Conta-nos como nasceu a tua relação com o vinil: é coisa que vem de infância, influência dos pais, ou nasceu mais tarde?

Desde sempre me lembro de ver discos “lá por casa”, os meus pais tinham também vários amigos que eram músicos. Olhando para trás vejo que tudo isso influenciou, mas só na adolescência comecei a passar tardes em lojas de discos e a fazer pedidos deste e daquele som que não encontrava em lado nenhum. Com o crescimento da Internet rapidamente comecei a procurar e comprar vinil de lojas online um pouco de toda a parte. Anos mais tarde tive uma loja durante 6 anos, especializada em funk, hip hop, drum’n’bass, reggae/dub entre outros, e claro o serviço de gravação de vinil à unidade, pioneiro e único na altura.

Fala-se muitas nas diferenças de som ente os suportes analógicos e digitais. Tu que tens alargada experiência em cabines de DJ muito variadas, o que sentes em relação a essa questão?

Esta será uma eterna questão entre audiófilos, produtores, alguns DJs e todos os que se interessam por saber mais sobre as diferenças de som entre os diversos suportes. No analógico, as características são um som rico em graves com menos definição nos médios e frequências agudas enquanto que no digital o som é mais frio por ter maior definição de frequências médias e agudas. Durante muito anos, passei música em vinil, mas, infelizmente, grande parte das editoras deixou de lançar, apenas as maiores continuam ainda a editar neste formato. Saliento também que hoje em dia grande parte dos clubes não oferecem grandes condições para se poder tocar um set em vinil.

 


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Quando é que começaste a coleccionar vinil e quantos discos dirias que acumulaste entretanto?

Foi na adolescência que comecei a passar tardes em lojas de discos a fazer digging, o que também levou a encontrar outros géneros e artistas. Diria que acumulei uns 2500 discos mas não sei ao certo porque nunca os contei. Tive que imaginar cases de vinil de 50 para ter uma ideia!

Como é que foste criando a tua colecção: compras sobretudo em lojas, online ou procuras também encontrar discos em feiras, casas de velharias?

No início foram os de casa quando comecei a fazer uns beats de hip hop, logo a seguir lojas de velharias, discos da família e basicamente de todo o lado que desse para tirar uns samples… Depois de começar a passar uns discos foi quando comecei a encomendar regularmente em lojas e, passados alguns anos, em lojas online como faço ainda hoje em dia, sempre que possível, mas não tanto como no início em que todos os cêntimos eram guardados para o vinil. Ter a minha loja também fez crescer a colecção!

O que é que um disco tem que ter para captar a tua atenção?

Em primeiro terá que ter um conteúdo musical que me agrade e se tiver uma boa capa é sempre um factor a considerar. Para comprar discos hoje em dia terão que ser de funk, reggae, hip hop ou algo dentro destas sonoridades.

Tens uma visão generosa da música e vais a vários géneros enquanto ouvinte e coleccionador ou tendes a escolher coisas sobretudo numa área específica?

Gosto de vários géneros musicais e gosto de ouvir funk, reggae, hip hop, bossa nova ou até coisas mais actuais como trap ou future house. Gosto de musica que faça fusão de géneros e considero-me bastante aberto a ouvir outros géneros fora da área a que me dedico para ter influencias diversas e alargar horizontes.

 


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Costumas cometer loucuras pelos discos, em termos de preços?

Não me considero um excêntrico nesse sentido, mas existem algumas excepções para álbuns quádruplos ou algo do género.

O Porto é uma boa cidade para se construir uma colecção? Há por aí muitas lojas? Quais as tuas favoritas?

Sem dúvida que o Porto é uma excelente cidade para encontrar discos. Existem bastantes lojas e feiras onde se podem encontrar, é só procurar. Não tenho uma loja favorita já que todas as que frequentava fecharam, mas existem muitas novas sempre a aparecer.

Nomeia-nos cinco preciosidades da tua colecção.
Alguns dos meus preferidos e que para mim são preciosidades:
Gang Starr – Full Clip : A Decade of Gang Starr
Mobb Deep – The Infamous
Roni Size – In The Mode
Aphrodite – Aftershock
Badmarsh & Shri – Signs (Calibre Mixes)

 


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Fala-nos um pouco da tua máquina de corte e dos serviços que prestas nessa área…

Em 2006, juntamente com a minha partner in crime, abrimos a Zona 6, uma loja dedicada à venda de discos, equipamento DJ, produção de eventos e especializados no serviço de gravação de vinil à unidade que esteve activo entre 2006 ate 2012. Devido à mudança de estúdio e por nos focarmos em outras coisas na altura prioritárias, só agora iremos voltar a oferecer este serviço único para todos que querem ver as suas músicas originais em vinil. Os nossos discos são 99% iguais a um disco standard, em vez de fazermos a gravação do master num acetato ou laquer gravamos directamente em vinil virgem que garante óptima qualidade e durabilidade ao contrário dos acetatos que se vão deteriorando com o tempo.

A cultura do dubplate continua viva no drum n’bass?

Esteve presente ao longo de mais de 25 anos, mas, infelizmente, como praticamente qualquer outro género, teve que ceder e abrir as portas a formas mais acessíveis que apareceram com os novos tempos. No entanto algumas labels continuam a lançar em vinil. Na minha opinião e aparte de formatos, o que interessa é ser criativo e inovador!

Planos para 2017…

Editar um álbum com temas que tenho vindo a produzir nos últimos anos, bem como novos sons que estou a trabalhar neste momento. Espero também continuar a tocar e bombardear públicos com sons diferentes do que passa habitualmente.

 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Jornalista desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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