DJ Marfox: as pistas de dança do mundo são dele

 

[TEXTO/FOTOS] Ricardo Miguel Vieira

Março, final de tarde de um Sábado. O Sol escapa pelos lotes da Quinta do Mocho, em Sacavém, e forma triângulos de sombras e luz nas fachadas grafitadas dos prédios do bairro. Há gente que se passeia na rua, crianças que jogam à bola, grupos que partilham umas minis à porta de tascos e mercearias e há tarraxo a ecoar no bairro, como se estivéssemos a ouvir um speaker de uma torre muçulmana a soltar as preces do dia. Habituado às visitas no bairro, DJ Marfox encontra-se connosco e logo nos guia pelas ruas da quinta que o acolheu há pouco mais de um ano, depois da demolição da Quinta da Vitória, bairro de barracas na Portela de Sacavém onde cresceu, como pessoa e músico.

Pelo caminho cruzamo-nos com Toni – o tio que rodava cassetes de kuduro em festas africanas e influência primeira de Marlon Silva (nome próprio) – e tocamos à porta do DJ Nervoso, o percursor da cena afro-portuguese house que hoje tomou conta da noite lisboeta e que se dissemina pelo globo. Bebemos da história da música que se desenhou nos guetos periféricos alfacinhas e se disseminou pela internet através de arcaicas plataformas como o eMule e o MSN Messenger. Hoje, DJ Marfox é o símbolo maior da Princípe Discos, casa de experimentais produtores de música electrónica e kuduro, e é o embaixador do movimento. Com os recentes lançamentos do álbum Revolução 2005-2008 [NOS Discos] e de uma compilação na Warp Records – Cargaa 1, o Rimas e Batidas passou uma tarde na rua e na casa do produtor de 26 anos e embrenhou-se no caldeirão da cultura afro-portuguesa que começa a conquistar o seu espaço em Portugal e no mundo.

 

Deixa-me começar por explorar uma particularidade tua: em espectáculos ao vivo e até em entrevistas referes-te à tua música como kuduro de Lisboa. Como é que o defines e de que forma se distingue do kuduro angolano?

Chamo kuduro de Lisboa porque nós [os DJs do afro-portuguese house] sofremos influências da cidade enquanto crianças e isso faz com que nas produções haja um kick, um snare que é diferente – seja de Puto Prata ou do Znobia ou do Massacre ou de qualquer outro produtor de Luanda. Eu ouvia muitos ritmos africanos na minha infância e também ouvia outros tipos de sons e é nisso que me baseio quando produzo. Os beats são diferentes, os sintetizadores são diferentes e isso também tem que ver com a maneira como estás na vida e o que te influenciou. Tento sempre fazer as coisas diferentes umas das outras, que dependem do power, da identidade, da dureza que quero dar aos sons. Isso vem do modo como toco os sintetizadores, da melodia que desenho e como a componho. Isso transforma-se e tento que seja único, que faça a diferença.

Recordas-te da primeira vez que rodaste uma produção tua numa festa? Como foi a reacção?

Foi em 2005, quando estudava na mítica Escola Afonso Domingos, em Chelas. Tinha acabado de entrar para aquela escola para fazer um curso profissional e deparei-me com uma associação [de estudantes] muito coesa. Decidi criar a minha lista e, como era músico, levava comigo o meu computador (atenção, era uma torre e não um portátil) e passava música nos intervalos. Foi aí que comecei a pôr as minhas primeiras produções. Nas festas do bairro [Quinta da Vitória] na Portela também punha algumas músicas, e também aqui na Quinta do Mocho com o [DJ] Nervoso e na Linha de Sintra na Margem Sul em espaços de música africana. O Nervoso arrastava-me muitas das vezes para ir com ele [a festas] para aprender e muita da técnica que tenho hoje a mixar e também a produzir é influência com o Nervoso. Na altura, as pessoas não acreditavam que os sons que passava eram meus. Julgavam que fazer música era ter um grande estúdio e, como a maioria das produções que se ouvia eram de Angola, diziam que punha o nome em cima de beats que eram de angolanos. Isso só deu azo a que trabalhasse mais. Críticas como essas fizeram empenhar-me mais.

A Príncipe Discos teve um papel fundamental ao providenciar uma casa para os produtores do género. Como é que avalias a influência da editora ao longo da tua carreira?

A Príncipe fez o que mais ninguém fez. Pegou uma pedra da calçada portuguesa e pôs num museu, foi o que fez com esta música. Uma pedra da calçada na rua é só uma pedra, num museu é arte. O que a Príncipe fez foi dizer às pessoas de todo o mundo que isto é o que consideramos arte contemporânea ou de ponta na música e que é feita nos subúrbios de Lisboa e que temos todo o prazer e orgulho de partilhar com todos. A Príncipe tem um papel fundamental porque deu o suporte para que esta música pudesse ganhar a estrutura e peso que hoje tem. Sem uma Príncipe, provavelmente o Marfox não dava os passos que deu. Trabalho todos os dias para que o meu nome e esta música continuem a ir avante e a Príncipe é um suporte fantástico nessa divulgação. Tu não vês os cinco co-fundadores a dar a cara pela editora; os artistas é que estão sempre a brilhar, são eles quem faz acontecer. A Príncipe, desde início, teve o cuidado de nunca influenciar um artista na sua fase de construção. Disseram sempre para mostrar o que estava a fazer e gostavam de como estava e era assim que editavam, sem filtros.

Como é que é a dinâmica entre os artistas da Príncipe? Vocês trocam sons, discutem produções, são competitivos, ajudam-se?

Eu tenho um papel de padrinho e tento deixar o artista completamente à-vontade. Em 2014 estive muito tempo fora, toquei em duas noites Príncipe [mensalmente no Musicbox, Lisboa], quando são doze por ano, então houve alguém que teve de fazer esse trabalho por mim. Tento sempre receber bem um artista, deixá-lo à-vontade. Muitas vezes não têm dinheiro para um boa placa de som ou para um bom computador e eu tento fazê-los ver que a qualidade é essencial na música. Podes ter em casa uma música incrível mas se estás a tocar para um público que não te conhece tens de ter um bom som. Então, troco muitas ideias, aconselho-os a comprar melhores materiais, faço esse papel. A nível de produção, acho que não [colaboramos muito]. Cada um tem de ter o seu estilo, e bem definido. Eu já fiz o meu papel, trouxe o artista e agora tem de ser ele a criar o seu caminho. Não estou a dizer que amanhã não possa criar uma música com um deles, mas agora não me revejo a fazê-lo. A par do Nervoso, sou o mais velho dos artistas na Príncipe e estou sempre concentrado em ir buscar novos miúdos. De resto, qualquer coisa que precisam mandam mensagem ou ligam e estou sempre disponível para ajudar. Posso dar um aval final a nível de equalização, mas nunca interfiro com a identidade dos artistas. Tenho a minha identidade, defendo-a, e quando estou no processo de pré-equalização das tracks de outro artista nunca ponho a minha identidade ou o que acho que vai ficar melhor. A música é assim, é assim que vai sair, mas bem equalizado para ir para a master.

Vocês acabam de lançar uma compilação na Warp Records – Cargaa 1. Como é que chegaram a essa colaboração e o que significa para ti trabalhar com a reputada editora?

Se calhar o [disco] Revolução tem mais impacto para mim porque são nove faixas que estão num disco que tem a primeira oportunidade de sair de casa. Há pessoal que começou a conhecer Marfox a partir de 2011, altura em que sai o meu primeiro EP – Eu Sei Quem Sou – e que não sabia que havia um manancial de beats que vinha de trás. É o caso dos sons no Revolução. A Warp é aquela cereja no topo do bolo. Nós somos pobres, só comemos o bolo, não precisamos da cereja, mas a Warp é a cereja, é o tio rico que colocou ali a cereja. Nós estamos contentes e temos noção do impacto que isso tem a nível internacional e vamos continuar a trabalhar com os pés bem assentes no chão e trabalhar. Chegámos aqui com trabalho e é o que vamos continuar a fazer.

Como é que tem sido o acolhimento do bairro Quinta do Mocho ao que o Marfox faz?

Se deres uma volta, percebes que o pessoal ainda estranha, ainda pergunta quem é este gajo, porque é que é este gajo que veio agora [para o bairro] está a fazer o trabalho que os daqui deveriam fazer. Mas faço o trabalho que acho que tenho de fazer. Para mim fazer uma entrevista no bairro é sempre uma oportunidade de abrir as portas para o mundo. Estamos a falar de um dos maiores bairros sociais de Portugal – se não me engano, há 93 ou 94 lotes, são muitas famílias.

Sentes alguma pressão por teres de representar o bairro para o mundo?

Claro que é uma responsabilidade grande, mostrar a música como é, sem cortes, sem nada. Não há influências de Berlim, de Chicago, ou da vida no centro de Lisboa. A primeira vez que fui ao Lux ou ao Musicbox foi para tocar, nunca foi para frequentar os espaços. E levo comigo o que mais me influencia, o que faço em casa e o que os meus amigos fazem e isso tem um peso. É a primeira vez [desde o 25 de Abril] que há uma tão grande representatividade da cultura afro-portuguesa, mas sem dedos de governos e sem filtros bonitos e coloridos que fazem a cena crescer ainda mais. A gente [do bairro] chega puro e duro ao centro da cidade, somos retirados do gueto e postos numa pista para tocar, não só em Portugal mas no resto do mundo também.

Vejo que gostas de trazer os jornalistas para o bairro. É importante para ti mostrar onde despontaste para a música?

De que me adianta sentar-me na Bica ou no Chiado ou no Rossio ou no Martim Moniz? Eu não sou dali, não foi ali que isto aconteceu. Isto aconteceu neste bairro, na Portela e nos outros bairros. Ter sentados em minha casa a Rolling Stone ou o Rimas e Batidas é uma forma de demonstrar que aqui também há vida, que as pessoas estão fixes, que a identidade desta música parte daqui. Com isto não quer dizer que não haja influências directas da cidade de Lisboa, claro que sim. Nós não nascemos e aprendemos apenas a fazer kuduro, nós tivemos uma educação à portuguesa.

Como é que achas que este som está a ter impacto no mundo? Achas que é o próximo footwork?

Footwork é footwork, isto é isto. O kuduro já tem vinte e poucos anos e nasce entre Lisboa e Luanda e Detroit e Chicago. O ano passado pude receber em minha casa o Tony Amado, que foi o mentor do kuduro, e a primeira abordagem dele foi que nem em Angola há uma noite assim. Eu disse que tento fazer o máximo por isto, porque percebo que esta música nasce da fusão de várias coisas. O kuduro é uma música que está no quotidiano dos angolanos, em Lisboa não. Em Lisboa a evolução dá-se no beat, isso passou-me o Nervoso e o Nk. Neste bairro tens o Nervoso, que deu o efeito dominó, e depois tens o Tixo, que é o maior e melhor bailarino de kuduro de todos os tempos em Portugal. Ele revolucionou a dança como nós revolucionámos a música. Normalmente as pessoas tentam multiplicar os géneros musicais já feitos, em Lisboa não, cada um cria o seu próprio estilo, o que é fantástico. Acho que não somos o próximo footwork, nós temos a nossa própria identidade, o nosso espaço, não olhamos para o footwork como um exemplo a seguir.

És um exemplo para os jovens dos bairros sociais. Com as classes políticas a apontar para integração dos jovens, já foste abordado pela autarquia? Já alguém se apercebeu do impacto que podes ter junto das camadas mais jovens?

Já, pelo menos em Loures já se aperceberam do que o Marfox e a Príncipe têm feito. Não só o Marfox, há aqui muitos artistas e DJs. A questão é que há sempre a questão burocrática, parece que os políticos passaram todos pelo [Instituto Superior] Técnico, de onde saem afiados e de palavras certas, e esquecem-se da prática. O que falta aos bairros dos subúrbios de Lisboa é ter mais impacto directo na vida das pessoas, isso é que faz toda a diferença. Já abordaram, mas há muitas burocracias. Gosto pouco disso, gosto de ligações directas, é assim que faço a minha música.

A música que produzes abriu espaço para novas reflexões sociológicas sobre as dinâmicas criativas dos bairros sociais. Representas a emergência de uma nova escola que saiu dos subúrbios. Sentes que tens um papel importante também na mudança de consciências sobre o que um bairro social produz criativamente?

O bairro social é um diamante bruto que tens de saber lapidar. Se olhares para outras capitais, tu vês isso. Os centros quase nada produzem, vão sempre beber às periferias, onde nascem os movimentos. Esta música nasceu aqui, foi levada para o centro, mas já tinha um grande feedback nas periferias. Já andou muito desde 2001 até hoje. Foram onze ou doze anos até a coisa atingir o pico. Tem sempre importância, mas não é fácil chegar a um puto e dizer que fui tocar ao MoMa [Nova Iorque]. Ele não sabe o que é, as pessoas não estão instruídas para isso. Isso vai existir sempre, por mais que tentes mudar, o puzzle segue sempre a mesma regra. Muitas vezes sinto-me imigrante no meu próprio país e fui educado aqui. As pessoas não se identificam com a música que faço e de onde venho. Sempre olharam para os guetos locais sem criatividade, com pessoas retrógradas, vai haver sempre lacunas na valorização do que é feito nos subúrbios.

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Bebes influências da música house e electrónica ou ficas apenas pelos tons africanos?

Para fazer música inspiro-me no Nervoso ou no Nk. Ou então vou experimentando no processo de criação, foi assim que o som do Marfox foi criado. Não é uma questão de ouvir ou saber a história do techno ou do house ou de outra influência qualquer. Eu não sei isso, não estudei música. Até tive negativa a música na escola e não foi por aí que deixei de fazer música. Influencio-me por coisas muito próximas [à minha música], algumas que vinha de Luanda. Confesso que o truque provavelmente está mais no programa [informático] do que nas influências. O Fruityloops é um programa muito intuitivo e às vezes quando estás a fazer uma coisa, sai outra brutal.

Então não há o perigo de vires a normalizar as tuas produções, de criar um som mais convencional?

Isso não é o Marfox. O Marfox é sempre irreverência, não tem que ver com um som convencional. Não vou estar a fazer um som para agradar ao A ou B ou C. Depois quem é que agrada a mim? Tenho de ser eu mesmo, primeiro tenho de me agradar a mim e depois às pessoas. Não vou estar a criar outras sonoridades ou em busca de criar o que a malta diz que é mais fresh ou mais clean. Este sou eu, o meu primeiro EP chamava-se Eu Sei Quem Sou, eu sabia quem eu era e o que eu estava a fazer e onde queria chegar. As pessoas têm gostado do meu som assim, porque é que vou mudar? A pessoa pode inovar dentro do próprio estilo, pode criar coisas novas, sempre dentro desse registo. Mas não vou estar a fazer outras coisas para manter o nome ou outra fasquia.

Gostarias de produzir dentro do teu estilo para outros géneros ou para algum artista?

Não sei, quando faço o meu som gosto de ter o controlo de tudo. Não sei se um rapper estaria disposto a que eu desse ordens, não sei se ia aceitar bem isso. Conheço o meu som melhor que ninguém e posso dizer como soa melhor, não pretendo fazer um som que não se identifica comigo. A nível de produção, talvez um dia, não sei o dia de amanhã. Há muita coisa que já aconteceu comigo a nível artístico, de viagens, de partilhar o backstage com certo tipo de artistas que gostaram da música. Talvez o passo seguinte seja um rapper ou um cantor de pop-rock. Pode ser qualquer coisa.

Provéns de uma geração ligada em rede. Qual foi a importância da internet e da comunicação digital na tua evolução e difusão sonora?

A internet traz a vantagem de propagar a minha música. Se quiserem apelidar o DJ Marfox não poderá ser como DJ à antiga, é mesmo DJ de net. Foi assim que a coisa começou, esta música propagou-se através da internet. Não me venham dizer que foi o CD. Não, internet. A primeira compilação dos DJs di Ghetto fez mudar o chip de muitos putos do bairro. Não quero estar a gabar-me, mas quantos DJs existem com Fox no nome quando pesquisas no Google? Há imensos. O primeiro fui eu e as pessoas muitas vezes nem sabem a verdadeira história do nome Fox – que está ligada a uma brincadeira de um jogo da Nintendo 64 que todos jogávamos na Quinta da Vitória, o Starfox. Em 2007, os sons de Marfox estavam a bater no underground e a malta gostava e mostrava tributo ou respeito pela cena. Hoje vê-se miúdos com 12 ou 13 anos no Soundcloud com Fox no nome. É fantástico. O bom desta música é a internet mas, ao mesmo tempo, o feedback dos meus do bairro. Para quem está a produzir sozinho é bom ter esse poder, de colocar no Soundcloud ou outra plataforma qualquer e receber logo feedback. A internet dá-me esse feedback do resto do mundo, mas é sempre importante meter aqui no bairro [a tocar]. As pessoas vêm ter comigo e perguntam-me quando vai sair uma ou outra música – quando é que lhes posso dar essa música. As pessoas pressionam aqui no bairro. Houve um hábito muito grande de darmos as músicas às pessoas. No início, eu, o Nervoso e o Nk não cobrávamos nada [pelos CDs no bairro]. O Revolução é a prova disso, essas músicas que estão aí foram feitas de forma gratuita. Hoje uma pessoa já percebe que existe um mercado, uma editora e que há que respeitar, há que consolidar o nome. Mas como é que vou vender [uma música] à minha vizinha ou ao puto ali do bairro? Nunca pagou, não é hoje que vai pagar. Ele vai continuar a ter a música de borla. Eles levam para a escola, mostram aos colegas e foi nessa onda que começámos e é assim que vamos continuar a ser.

É por essa razão que não editas um LP? Porque a música que produzes não vive de uma compressão material mas de uma expansão sem fronteiras?

Um álbum exige reflexão, tudo tem de ser pensado. Até para editar o Revolução tive imenso trabalho, tive de pensar em tudo. Num álbum defines um objectivo, já num EP – digital ou físico – és livre, pões lá três ou quatro músicas que gostas e acabou, ninguém vai criticar-te por isso. Se quiser editar agora um álbum, vou ter de pensar muito mais, refazer certos aspectos, ir em busca de certas coisas. O teu manager pensa nessas coisas, o teu agente dá-te o toque sobre isso, tem de se ter consciência do que se está a fazer. Mas sinto-me bem com os EPs. Não tenho pressa de nada. Estou a preparar o meu próximo EP para sair na Príncipe ainda este ano, mas não estou com pressas. Não digo que estou como quero, mas estou lá próximo.

Que estrada vais percorrer nos próximos tempos?

Há muita coisa a ser negociada neste momento e tudo muda do dia para a noite. Só posso revelar o EP da Princípe, o resto não posso falar de mais nada. Posso falar do remix que fiz para a Capicua, do remix que fiz para a tUnE-yArDs, há mais remixes a caminho, há aí muita coisa a ser bem trabalhada e pensada. As coisas começam a chegar de forma alucinante, propostas aqui, propostas ali, espectáculos… Em Maio há uma data importante cujos pormenores não posso revelar, mas posso dizer que será em Lisboa. Vem aí muita coisa. Tudo muda num segundo, uma pessoa hoje tem uma proposta, amanhã tem outra. Para mim fazer música é fantástico, mas depois há o lado do business que já não me compete.

O que é o sucesso para ti?

Para mim o sucesso é isto, poder desfrutar, andar pelo meu bairro à-vontade, ter a minha música, viver o meu sonho. Isso é que é o sucesso, é as pessoas viverem a própria vida. Não é fazer música porque o teu manager ou agente obrigam, é viveres a tua música de maneira feliz. Sempre fiz isto de graça, agora pagam-me para fazer isto, mas o empenho é o mesmo. Nunca deram valor à música que está no Revolução e agora está editado num disco e há distribuição internacional do físico, isso é que é ser feliz, para mim a vida tem sentido assim. Cada um define o seu sucesso, este é o meu. É poder receber-vos em casa, andar convosco no meu bairro, é poder fazer uma pausa e tomarmos um café e mandar umas gargalhadas, isso é que é o sucesso, viver a vida intensamente e não ser controlado ou manietado por alguém que defina os timings de edição e editoras e que artistas vão cantar em cima da tua música.

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Ricardo Miguel Vieira

Escrevo umas linhas em revistas e sites. Cultura, música, activismo, DIY, surfing são o meu universo. Se não me encontrarem por aí de headphones entre orelhas é porque estou algures no oceano.
Photo By: ©Ricardo Miguel Vieira