Dino D’Santiago sobre “Nova Lisboa”: “Esta Lisboa linda pertence-nos, está na hora de nos orgulharmos”

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTO] Pluma

“Nôs Funaná”, primeiro single do próximo trabalho de Dino D’Santiago, abriu há menos de um mês as portas de um mundo novo. Ao funaná lentu do interior da ilha de Santiago, Paul Seiji e Rusty Santos juntaram a kizomba angolana e as batidas electrónicas. O músico algarvio de raízes profundas em Cabo Verde falava do “início de deixar um legado” que agora ganha um novo single: “Nova Lisboa”. Inesperado, é certo, porque o primeiro tema lançado “começa agora a ganhar o seu espaço”, conta Dino. Porém, “um convite irrecusável do Branko” catapultou a agenda.

Branko, Dino D’Santiago, Mayra Andrade, Sara Tavares e Plutónio vão tomar conta do palco da Eurovisão Song Contest 2018 durante as contagens das pontuações no dia 12 de maio, sábado. Em directo da RTP para milhões de pessoas em todo o mundo, Dino vai cantar pela primeira vez o tema de que “muita gente nos ensaios na Altice Arena tentou fazer Shazam”, conta o músico a rir. A música aconteceu no momento em que foi “mostrar os temas do disco a Branko”, esclarece. “Queríamos a opinião dele, é uma pessoa em quem confiamos muito, no gosto, no tacto”, enumera. Com uns toques também de PEDRO e letra de Kalaf, “Nova Lisboa” é cantada em português e tem dois detalhes em crioulo que Dino considera mesmo a punchline do tema. “Estou aqui, mas desta vez não estou para vender nem a saudade nem a morabeza, estou para vender tudo o que me abraça deste casamento Santiago-Lisboa”, explica. O músico quer mesmo, com este novo trabalho, transportar a bandeira da sonoridade que é “fruto desse casamento entre os PALOP, Portugal e mesmo o Brasil”. E diz até que este segundo single é “um grito do ipiranga”.  “Vamos manifestar-nos porque esta Lisboa linda pertence-nos, está na hora de nos orgulharmos como nos orgulhamos do Cristiano Ronaldo, dos Mourinhos e da Selecção”, sublinha.

Quem tem ajudado também a carregar esta bandeira da sonoridade lisboeta é Branko. Mayra Andrade e Dino D’Santiago até já dizem que João Barbosa merece a nacionalidade cabo-verdiana e que “a brincar a brincar” ainda vão “tratar disso”. Foi o líder da Enchufada quem teve “a coragem de transportar essa Lisboa crioula, essa Lisboa mestiça, chamando a mim e à Mayra e à Sara Tavares e depois agregando o Plutónio a esse movimento”, enaltece Dino. O músico garante que vai ser um momento “intimista” com um “conceito minimal para fugir àqueles holofotes todos que a Eurovisão normalmente tem”. Sara Tavares vai interpretar “Ter Peito e Espaço” de Fitxadu com a ajuda de Plutónio e remisturada por Branko. “Reserva Para Dois” é, claro, a música que junta Mayra Andrade à batida de João Barbosa.

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos