Bispo, Holly Hood e Dealema n’O Sol da Caparica: assim se vê a força do R, A, P!

[TEXTO] Hugo Ribeiro [FOTOS] Hélder White

Logo a meio da tarde, no espaço Debaixo da Língua, deu para perceber que Bispo concentra muitas atenções. Em conversa com Rui Miguel Abreu e Sam Alone, o rapper de Algueirão-Mem Martins levou muitos adolescentes a sentarem-se à sombra das árvores para ouvirem não rimas, mas palavras em torno da arte de rimar. E descobriram-se afinidades entre o rap e o rock, com Poli, o homem que também conhecemos por Sam Alone a confessar ser um grande fã de Allen Halloween.

Uma hora mais tarde, Bispo subiu ao palco, ofereceu-nos os seus maiores êxitos e deixou clara a sua enorme empatia com o público que recita as suas letras em uníssono. Com Fumaxa a oferecer-lhe os beats, temas como “Puto Strong”, dedicado a um irmão que é um herói, “No Meu Caminho” ou “Não Fui Sincero” arrancaram performances seguras ao rapper que sozinho no microfone sabe já muito bem como segurar uma multidão. Actuação segura de um artista com enorme margem de progressão na carreira, porque parece estar a rimar o que as pessoas da sua idade sentem de facto. E nem sempre é assim.

 


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Uma hora mais tarde, quando o sol ainda brilhava intenso, Holly Hood levou o som da Superbad até à multidão. É mais do que claro que artistas como Holly Hood ou Bispo, para falar apenas dos dois primeiros nomes a pisarem o palco Blitz, representam o futuro no que às preferências do público diz respeito. O sucesso nas plataformas virtuais ecoa um sucesso real, feito de gente que conhece cada beat, cada rima, e que amplifica o sinal que estes artistas lhes dão rimando e sentindo com eles.

Holly Hood cantou – pela primeira vez, assegurou – para os seus pais, fez “Fácil”, “Qualquer Boda” ou “Ignorante” agigantarem-se e com Here’s Johnny e No Money em palco (a injectar aquele “Veneno” de que o povo gosta…) assumiu a condição de voz de uma geração. Não a única, seguramente, que esta é uma geração plural, mas seguramente uma das que não cai em saco roto e é escutada atentamente. Belíssimo concerto.

 


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O cair da tarde ainda trouxe os veteranos Dealema ao palco. Os talentos de Mundo e Maze, de Expeão e Fuse, do grande Dj Guze, são tão fundos e tão variados que no palco se podem espraiar bem para lá do cancioneiro do pentágono: Fuse pôde abrir a sua Caixa de Pandora, Maze permitiu que os seus “Brilhantes Diamantes” brilhassem de facto, e de maneira intensa, uma vez mais. E tudo isto ao lado de clássicos como “Sala 101”, com dedicatórias a filhos que são a coisa mais importante da vida – salvé Gaspar – e um nível de entrosamento que é muito invulgar, mas também muito real.

Esta aposta d’O Sol da Caparica no rap tuga está mais do que ganha e esta noite ainda trouxe Carlão até ao palco principal para uma celebração colectiva de intensidade reforçada.

 


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Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu