Beautify Junkyards: “Sabíamos que a Ghost Box ia catapultar a nossa música para novos públicos”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

O mundo invisível dos Beautify Junkyards vai merecer o olhar de todos os que se deslocarem ao espaço Damas, à Voz do Operário, em Lisboa, no próximo domingo, dia 22 de Abril.

A apresentação do mais recente álbum do colectivo lisboeta – The Invisible World of Beautify Junkyards foi ontem alvo de crítica aqui mesmo no ReB – é agora pretexto para uma rápida conversa com João Branco, uma das vozes do grupo e ideólogo principal do maravilhoso universo que conquistou espaço no catálogo da britânica Ghost Box.

João Branco preparou ainda em excluivo para o Rimas e Batidas uma mix que explora as sonoridades com que o grupo mais se identifica e que serve como aperitivo para o concerto do próximo domingo.

 



As reacções internacionais à edição dos BJ têm sido entusiásticas. Como é que vocês estão a processar tudo isso?

Estamos contentes com a receptividade, sabíamos que a Ghost Box ia catapultar a nossa música para novos públicos, por ser uma editora de culto e da qual se espera uma sonoridade marcante. O restante “trabalho” de atingir emocionalmente as pessoas ficou a cargo das músicas que compõem o The Invisible World of… e nesse aspecto acho que conseguimos um álbum bastante personalizado e que funde estilos que pouco usualmente se misturam. Além do Reino Unido, com óptimas críticas em publicações como a Shindig, Electronic Sound, Prog e Record Collector, destacaria também os EUA e a Itália, países em que temos tido boas reacções na imprensa especializada e airplay em diversas rádios. Uma das principais revistas de música italianas, a Mucchio Selvaggio, dedicou-nos agora na edição de Abril um artigo de 6 páginas. É gratificante para nós sentirmos a bidireccionalidade a funcionar na relação entre público e banda.

Que feedback obtiveram também do lado da GB?

A relação com a Ghost Box tem sido uma óptima experiência, eles têm sentido o crescimento do álbum connosco e sinto que fazemos parte de uma “família” que respira música. Em termos mais operacionais, o Jim é bastante pragmático e realista em relação a todas as acções de promoção e o trabalho conjunto tem resultado, tendo consequência directa no bom volume de vendas que o álbum está a ter.

Sobre o concerto de dia 22 no Damas, que nos podem adiantar? Vai ser a estreia da nova formação, certo?

Estamos naquela fase de excitação de transportar o álbum para os palcos, tem sido desafiante pois queremos estender alguns arranjos para tornar a experiência do concerto mais imersiva. Vai ser a estreia da nova formação com a Helena Espvall (violoncelo e guitarra) que se juntou a nós quando começámos a trabalhar neste novo álbum.

 


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O alinhamento vai andar à volta do novo LP, mas haverá espaço para algum desvio?

A base do concerto será em torno do novo disco, mas também vamos tocar músicas dos dois álbuns anteriores e estamos a preparar uma surpresa. Achamos que faz sentido estabelecer essa ligação com o nosso percurso e musicalmente faz todo o sentido.

Podemos esperar convidados?

Para o concerto teremos o sexteto, mas para completar a festa convidámos duas DJs com as quais temos grande afinidade musical, a Candy Diaz e a María P., são pesquisadoras de novas pérolas em diversas latitudes musicais e muito carismáticas nas performances que fazem, ingredientes suficientes para termos uma grande matiné de domingo no Damas (que nessa semana também estará a celebrar o seu 3º aniversário).

Quanto à componente visual, o que têm preparado?

Temos estado a trabalhar nisso, é um exercício de experimentação. No Damas, vamos apresentar um esboço do que estamos à procura, sobreposição de tempos, películas de super8, visões arcadianas, memórias, etc.

Do arsenal de instrumentos que vão levar para o palco, alguma coisa que nunca tenhamos ouvido antes num concerto de BJ?

Além dos instrumentos que tradicionalmente utilizamos, vamos ter a estreia do violoncelo “cósmico” da Helena e uma série de novos “brinquedos” electrónicos e pedais de efeitos.

 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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