Auto-Tune: os dois lados da tecnologia que revolucionou os vocais

[TEXTO] Vasco Completo [ILUSTRAÇÃO] Kim Ferreira

Todos os instrumentos musicais podem, na intersecção entre a síntese sonora e o registo fonográfico, beneficiar de efeitos para alterar o som original que produzem. Qualquer vibração acústica pode ser processada e ter o seu som alterado das mais diferentes maneiras desde que a mistura de som em multipistas se tornou uma realidade. O desenvolvimento tecnológico do século XX trouxe consigo o conhecimento de novos timbres – além das novas formas de conceber, consumir e viver a música com o crescimento da indústria discográfica. Mexer com as características dos sons pode apontar para duas importantes vertentes de como, ainda hoje, nos relacionamos com a música: ao vivo ou em disco.

É assim que queremos olhar para um dos efeitos que, nos últimos vinte anos, foi recebido de maneira controversa, tão celebrado quanto contestado. Cada vez mais está cimentada a ideia de que o Auto-Tune é uma moeda de duas faces, claro está, porque o seu uso está divido entre a correcção da afinação de cantores – seja por incapacidade técnica ou porque a indústria musical assim padronizou a homogeneidade da afinação – e a aplicação estética do mesmo como um efeito, tal como uma distorção. Saber posicionar a sua relevância nos nossos dias está exactamente em saber como é usado, porquê e para quê.

Seja em refrões melódicos, versos carregados agressivamente pelo efeito, ou quando o cantor chega de maneira “imperfeita” a uma nota, é difícil perder de vista esta tecnologia numa grande parte de géneros musicais do nosso tempo. Tendo-se alastrado nos últimos 20 anos, inúmeros produtores não escondem que o usam na grande maioria dos seus trabalhos.

No caso português, Charlie Beats refere, em conversa com o Rimas e Batidas, como aprendeu o que era Auto-Tune pela sua função correctiva e que foi na sua passagem gradual para a produção de trap que começou a considerar o seu uso para fins estéticos. Foi no enquadramento e passagem por diferentes estilos que descobriu as diferentes formas de utilizar a ferramenta.

O uso do Auto-Tune, para Charlie, depende sempre da intenção do artista. “Vozes desafinadas não saem do meu estúdio”. Perante os padrões da indústria musical vindas dos EUA, nos estilos “mais urbanos”, como o produtor refere, tem de melhorar o som das vozes em pós-produção. A qualidade acima do purismo! A ligeira e natural desafinação da voz pode também ser uma opção estética, tal como o uso do Auto-Tune “a notar-se”. Mas para se competir num mercado exigente, com determinados standards, há que trabalhar para os parâmetros estarem equilibrados com os das potências mundiais da música. Há mal algum nisso? Nenhum.

 


[40s – 70s: Talk Box]

Após várias e semelhantes experiências com o trato vocal como filtro das frequências ao longo do século XX, Bob Heil patenteia finalmente a Talk Box. Conectando qualquer instrumento, é possível alterar como se dá o comportamento frequencial do mesmo, pela forma que se faz com a boca. Assim, o instrumento pode comportar-se como uma voz humana. A faixa “Do You Feel Like We Do” de Peter Frampton trata exactamente de dar a conhecer ao mundo a possibilidade dos instrumentos “falarem”. Já Stevie Wonder o tinha feito – de forma exímia –, em 1972, num medley da “Close To You” dos The Carpenters com a “Never Can Say Goodbye” dos The Jackson 5.

 


[70s/90s/00s/∞: Vocoder]

Vastamente celebrado nos anos 70 pela emblemática Wendy Carlos ou na discografia dos Kraftwerk, pioneiros da pop electrónica, o Vocoder foi criado quase 50 antes pelos laboratórios da Bell para comprimir informação acústica que se queria a percorrer uma maior distância. A carregar a pesada bandeira do krautrock, a banda alemã expressou a dicotomia homem versus máquina pelo uso da síntese da voz humana. O resultado deste efeito é a conversão do timbre da expressão vocal nas notas que o sintetizador toca, assemelhando-se assim a um teclado que fala. A criação de ciborgues começou com os Kraftwerk, nós é que não sabíamos.

Os Daft Punk recuperaram, quase 20 anos depois, o uso do vocoder, que se tornou a base da estética de parte importante do seu trabalho. O uo francês trouxe o “robopop” de que Chris Gill falava em 2001, passando pelos Kraftwerk, polindo o uso deste efeito e pensando noutras audiências. O mergulho na música house veio, desde o primeiro disco da dupla, Homework, com o cunho do vocoder como ditador melódico e vocal. Por alturas de Discovery, Thomas Bangalter disse que “as pessoas normalmente têm medo de coisas que soam novas”… passaram já quase 20 anos. Parece que se perdeu o medo.

O mesmo efeito marca grandemente a icónica faixa de 2Pac com Dr. Dre, “Californa Love”, a constituir toda a voz no refrão da mesma.

 


[1997: Auto-Tune]

“Provavelmente a primeira vez que ouvi alguém usar auto tune foi a Cher (“Believe”) ou Daft Punk (“One more time”), no final dos anos 90… o que mais me cativou quando ouvi, foi a sonoridade em si, a fusão entre o analógico e o digital, sendo que eu cresci numa fase em que a música a nível mundial estava a sofrer essa transformação, achei o Auto-Tune uma cena inovadora”, diz Plutonio, um dos utilizadores da ferramenta no rap português.

A tecnologia do Auto-Tune foi inicialmente criada por Andy Hildebrand, para interpretação de comportamento sísmico. Para detectar este tipo de comportamentos, é necessário analisar as vibrações. O som é, também, um movimento vibratório. Deste modo, a mesma tecnologia permitia analisar a frequência da vibração da terra e também de sons gravados. Assim, a Antares Audio Technologies desenvolve esta tecnologia e direcciona-a para a possibilidade de analisar e – principalmente – corrigir frequências. Portanto, o Auto-Tune surge no seu princípio com a intenção de aproximar uma nota cantada/tocada à frequência certa a que o cérebro humano está habituado a ouvir pelo temperamento igual, no qual todas as notas da escala (ocidental) têm uma distância proporcional.

Esta tecnologia apareceu e foi mantida em segredo nos primeiros tempos entre produtores, dentro dos estúdios. O surgir de músicas que aplicavam diferentemente o Auto-Tune originou uma discussão mais acesa em relação ao que é e o quão mal faz/fez/faria à música do século XXI.

Podemos encontrar a ferramenta tanto no formato plug-in para utilizar em DAW’s, como em formato rack para interpretação ao vivo.

 


[1998: Cher: “Believe”]

“Sou do tempo em que a Cher usou o efeito pela primeira vez na pop. Na altura lembro-me de ter uma reacção negativa, mas com a ajuda da cena Dirty South, T-Pain etc… foi ficando cada vez mais entranhado. Agora ao ouvir gravações ‘pré-Auto-Tune’ parece que consigo ouvir todos os “semi-tonanços” dos nossos heróis muito mais do que dantes. Hoje em dia o que me cativa é a qualidade ‘alien’ que traz à voz humana, criando uma super voz”, revela Apache, o produtor e DJ dos MGDRV.

É nesta famosa faixa de Cher que podemos pela primeira vez ouvir o uso do Auto-Tune como um efeito estético do instrumento vocal. A voz soa intencionalmente robótica, com os saltos evidentes duma nota para a seguinte. É essa, no fim de contas, a principal característica do uso desta tecnologia enquanto efeito que altera a voz humana. Esta faixa vai trazer a conhecimento público o Auto-Tune, mas principalmente despoletar a utilização do mesmo.

 


[2000s: T-Pain e Lil Wayne]

O que o T-Pain trouxe para cima da “mesa” foi extremar o que Cher fez com “Believe”, e reforçar a presença do Auto-Tune como um efeito de voz que surge regularmente, como se estivéssemos a usar um chorus ou um phaser para alterar o conteúdo frequencial que sai duma guitarra. Influenciado por J-Lo, T-Pain puxou pelos parâmetros do efeito e fez com que o público deixasse de considerar o Auto-Tune como o “efeito Cher”, passando a ser o novo representante da moda. O artista chegou até a trabalhar directamente com a Antares no desenvolvimento do software do efeito, até uma separação que fez T-Pain trabalhar paralelamente para concorrer directamente contra a invenção de Hildebrand.

benji price, um dos nomes mais incontornáveis na definição de um novo caminho no rap português, desvenda o encontro inicial com a ferramenta: “A primeira vez que reparei no uso de Auto-Tune num contexto de hip hop foi com o T-Pain, já há uns largos anos, mas foi-me largamente indiferente — soava bem, mas via a coisa mais como um capricho do que algo utilizado como uma ferramenta estética experimental. Pouco depois veio o primeiro grande boom do seu uso com o Lil Wayne e Kanye West na vanguarda desse “movimento”, por assim dizer, e foi com o Tha Carter III e o 808s and Heartbreaks que comecei a encarar a potencialidade do Auto-Tune. Esses álbuns abriram bastante os meus horizontes em vários aspectos, particularmente no que toca a esse tema, e continuam a ser álbuns clássicos de referência para o meu ouvido.”

A importância de que Lil Wayne já dispunha na indústria musical permitiu uma grande visibilidade da ferramenta em questão, com faixas como “Lollipop”. Tha Carter III, além de cimentar a relevância do artista norte-americano, expandiu também a importância do Auto-Tune na música popular.

 


[2008: Kanye West: 808s]

António Costa e Bernardo Barbosa, as duas “mentes” por detrás dos Ermo, apontam para um disco de Kanye West: “808s & Heartbreak do Kanye West talvez tenha sido o primeiro exemplo [de conhecimento do efeito]. Pelo menos o primeiro álbum que ouvimos em que o Auto-Tune desempenhava um papel principal. Cativou essencialmente por soar diferente e a algo novo; para quem gosta de música é sempre emocionante quando surge uma nova ferramenta, um novo som.”

Sempre envolto na necessidade de ser o melhor artista de sempre, expandindo-se para fora daquele que seria o seu universo de partida, o hip hop, 808s foi um passo atento à tendência crescente de robotizar a voz humana. A vontade de maquinizar as suas emoções influenciou como os artistas se expressariam durante toda a década que sucedeu o hotel dos corações-partidos, para o bem e para o mal. Isto porque Kanye é um cantor desafinado, como sugere “Dark Fantasy”, mas soube pegar incrivelmente no Auto-Tune como a moeda de duas faces que é, salvando as suas incapacidades e revolucionado o efeito da voz na música pop. Continua a ser o artista que mais explorou, e de maneira mais interessante e livre, esta multifacetada ferramenta. 808s é o álbum que por isso mesmo se destaca de rompante na discografia de Mr. West, mas também o que aponta mais acertadamente para o futuro que haveria de se desenrolar a partir dos seus ecos.

 



[2009: Jay-Z – “Death Of AutoTune”]

As críticas ao Auto-Tune não tiveram apenas uma facção, terão vindo de todas as direcções: críticos, audiência, artistas. Jay-Z lançou “D.O.A.” – Death Of Auto-Tune – em 2009, no seu álbum The Blueprint 3. Além de reabrir a discussão sobre a ética no uso do Auto-Tune, ainda defendeu – num clássico caso de double standards – o uso da ferramenta por Kanye, Wayne e Pain.

“O problema parece-me ter sido a falsa ideia que é alguma espécie de plugin mágico que põe o mais horrível dos cantores a soar igual ao Pavarotti, e isso é uma das maiores mentiras que existe. Não existe nenhum plugin que faça milagres. Acho que o facto do Jay-Z ter lançado o ‘D.O.A.’ depois da primeira vaga do seu uso também funcionou muito para alimentar essa percepção que é alguma espécie de batota e tabu, da parte dos ditos “puristas” do rap, e essa ignorância perpetua-se até aos dias de hoje, especialmente em Portugal. O assunto de ‘será que o uso do Auto-Tune na música é eticamente correcto’ já foi encerrado há anos lá fora, só cá é que persiste. Um dos meus sons favoritos do Snoop Dogg, o “Sensual Seduction”, está repleto de Auto-Tune e ele é respeitado enquanto umas das maiores figuras de rap clássico, ninguém lhe faz acusações de ele já não ser ‘real'”, atira ainda o membro da Think Music.

 


[Fim dos 00s: 808s, Lil Wayne e o crescimento do trap]

Na última década surgiram, como expressão das novas vagas do hip hop, do r&b e da electrónica, artistas que potenciaram um género que se expande até aos nossos dias como um dos mais celebrados epicentros da cultura e música popular: o trap. O Auto-Tune acompanha de mão dada o acentuar do sub-bass, a esmagar todo o espectro da paisagem sonora do trap, a par com baterias agressivas ou mais profundas – onde os hi-hats estão em nervosa evidência – e caracteriza a expansão deste género. Por isso mesmo, o efeito percorre boa parte da cultura rap dos nossos dias, desde o filho, o trap, a todos os bastardos/primos, como o emo-trap, com uma forte comunidade sediada no SoundCloud. O r&b, surgido de T-Pain e Kanye West, não fica indiferente a esta aplicação do Auto-Tune, trazendo abordagens semelhantes, como sucede em Drake, PARTYNEXTDOOR ou mais divergentes e curiosas, como se constata em momentos pontuais de Bon Iver e Frank Ocean.

No presente, entre os principais representantes desta ferramenta, estão Future, Travis Scott, Young Thug ou Quavo. Lideram esta nova escola pela relevância na música e na mestria do uso do Auto-Tune, e assim influenciam e dão espaço a Trippie Red, Lil Uzi Vert e, mais recentemente Juice WRLD.

 


[10s: Prismizer]

Não foi necessário passarem 20 anos para este efeito conhecer novas possibilidades. O Prismizer é uma aplicação da mesma tecnologia, com a diferença que em vez de reproduzir apenas a melodia que recebe da voz, multiplica (como que num prisma, lá está) as notas ouvidas, harmonizando. Normalmente associado a Francis Starlite como pioneiro nesta estética, Bon Iver tem talvez a melhor representação do uso da mesma, em “715 – CR∑∑KS”. Há-de ser pela sua mestria e criatividade que Kanye o chama constantemente a participar na produção dos álbuns.

O Auto-Tune desde cedo levantou problemas quanto à evidente possibilidade que comporta de salvar desafinações no instrumento vocal, tanto na performance ao vivo como em estúdio. Usado sem exagerar no salto entre uma nota e a seguinte, ou na agressividade do efeito, pode soar de maneira mais semelhante à voz humana em si. Soa, sim, demasiado certinha para as normais imperfeições do instrumento mais pessoal de todos. Seja a poupar tempo na cabine ou a poupar más figuras em palco, o Auto-Tune consegue seleccionar a nota que deve ser ouvida pela aproximação à mesma. E, sendo que no efeito podemos escolher a escala em que estamos, o cantor “não precisa” de pensar onde tem de ir: vai estar sempre dentro da tonalidade.

Charlie Beats desenvolve: “Eu defendo que um artista não tem que ser um exímio, a cantar tudo incrivelmente bem e que afine tudo. Acho que um artista não é só feito disso. E a história mostrou-nos isso! (…) Um artista é um conjunto de várias coisas. Se o artista acha que o Auto-Tune o favorece, que favorece a sua arte e a comunicação do que está a querer fazer, e se acha que o Auto-Tune vai enriquecer o seu trabalho… Por essa ordem de ideias não usávamos reverb. Um MC uma vez estava a contar-me que um fã tinha-lhe dito ‘pá, tens bué vozes aqui, como é que fazes isto depois ao vivo?! Não dá, tens de gravar só uma voz de cada vez’. (…) Isso é absurdo. São ferramentas! ”

E Apache apresenta mais um forma positiva de explorar o Auto-Tune: “Gravar melodias e fazer freestyles melódicos com o Auto-Tune ligado em tempo real, quando não se está muito à vontade com os seus próprios “desafinanços” pode ser uma grande maneira de sair emoção e intensidade que de outra maneira não sairia. Sugiro a qualquer pessoa improvisar ou gravar a ouvir o Auto-Tune. É em si próprio uma técnica a explorar, manipular, com a voz e pequenos “desafinanços” propositados, o ‘efeito Auto-Tune’.”

Criação exige experimentação, e experimentação exige liberdade. O AutoTune não atribui super poderes aos artistas, não dá magicamente a capacidade de alguém compor boas linhas melódicas, harmonias e refrões. Um plugin não torna alguém bom compositor. Se alguém quer tentar fazer algo mais melodioso e menos “rappy”, como quem diz cantar mais e rimar menos, porque não haveria de usar uma ferramenta que lhe permite explorar essa faceta? Seria mais autêntico se não usasse e a música soasse pior? Também devemos criticar alguém por colocar reverb na voz para soar a que está numa igreja, quando na verdade está a gravar num estúdio acusticamente tratado para ser o mais seco e isolado possível? E nos outros campos artísticos, também devemos criticar realizadores/editores por aplicarem correcção de cor às suas filmagens cruas? Será que usar maquilhagem para fins estéticos é algo moralmente correcto? Diremos também a um pintor que ele só pode usar X cores? Acho que isto esclarece a minha posição quanto ao seu uso”, remata benji.

O que não nos podemos esquecer, é que o uso do Auto-Tune para homogeneizar a música pop, ou para melhorar as performances no X Factor – programa que (ironicamente) visa dar espaço e suportar em forma de tutoria jovens cantores e admitiu utilizar este apoio – não é representativo das possibilidades que traz o processamento electrónico da voz. Culturalmente há várias expressões baseadas neste efeito, e não nos poderemos debruçar sobre as mesmas céptica e frontalmente. Aqui, convém perguntarmos: interessa assim tanto a qualidade técnica dum grande artista? Alguém condenou as capacidades técnicas da guitarra ou de voz de Kurt Cobain? Alguém deixou de nomear My Beautiful Dark Twisted Fantasy como uma das grandes obras de hip hop só porque existem umas dezenas de rappers melhores que Kanye? Terá sido assim tantas vezes o virtuosismo sinónimo de “que disco do caraças!”?

A barreira invisível entre “cantores a sério” e “batoteiros” está cada vez mais esbatida, felizmente, tanto pela larga expansão de géneros que celebram o efeito, como pelo uso do Auto-Tune por artistas que demonstraram já dezenas de vezes que não precisam desse suporte para não fugir à tonalidade da música. Afinal, para que precisa Frank do Auto-Tune, certo? Um cantor que mesmo já tendo dado uso às suas capacidades de virtuosismo vocal, demonstra em Blonde , ou mesmo em “Chanel” e “Lens”, que recorrer à ferramenta é só mais um efeito no processamento da voz.

Em Portugal, além de termos Plutonio, ProfJam – e companhia da Think Music – ou Wet Bed Gang como exemplos de artistas que recorrem ao Auto-Tune e que rimam ou trazem refrões nos quais a melodia é central, também encontramos os Ermo. No último registo, Lo-fi Moda, exercem a experiência electrónica do sintetizador e não esquecem o processamento de voz na equação estética do disco. Quando questionados sobre as razões que os levaram à experimentação com o efeito, responderam: “No contexto do Lo-fi Moda a opção fazia todo o sentido. Queríamos um disco frio e electrónico, onde a humanidade fosse uma reflexão das palavras e não necessariamente da voz”.

E também deixam a sua opinião sobre a incapacidade de entender o Auto-Tune: “Parece existir em alguns ouvintes uma certa incapacidade para distinguir os dois tipos diferentes de utilização do Auto-Tune. Actualmente o Auto-Tune é muitas vezes utilizado como uma preferência estética, como um efeito que deve ser ouvido e reconhecido, como acontece com o delay ou com o reverb, por exemplo. Mas muitas pessoas ainda acham que o Auto-Tune, por ser um efeito de correcção vocal, só serve para simular talento ou ocultar vozes desafinadas. Não é isso que acontece.”

Plutonio, rapper português, referenciou, e bem, Hendrix como comparação no modo como quer apropriar o Auto-Tune: “[Utilizo] por uma questão de gosto pessoal, assim como o Jimi Hendrix usava distorção na guitarra. Acho que em qualquer tipo de arte ainda que existam bases, a base principal deve ser sempre a liberdade expressiva sem medos nem regras, senão nunca conseguimos trazer inovação, é importante expressares-te sempre de uma forma confortável com a tua capacidade criativa e genuína com o teu gosto pessoal”.

Ninguém criticou um dos melhores guitarristas de sempre por usar distorção na sua guitarra. Como é que vamos olhar para estes artistas no futuro? Em princípio como olhamos para qualquer instrumentista que usa uma pedalboard aos seus pés, ou abre plugins para melhorar um som. Ou seja, de forma completamente natural.

 


ReB Team

ReB Team

Facebook.com/rimasebatidas
Twitter: @rimasebatidas
Instagram: @rimasebatidas
SoundCloud.com/rimasebatidas
YouTube.com/c/rimasebatidas
Mixcloud.com/rimasebatidas
ReB Team