A$AP Twelvyy // 12

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[TEXTO] Diogo Santos 

Não há forma menos original de abordar a estreia de A$AP Twelvvy nos registos de longa-duração em nome próprio: Nova Iorque está bem… e recomenda-se. Depois de praticamente uma década na sombra, Jamel Phillips – um dos membros da A$AP Mob – utiliza 12 para abrir o livro. Por esta altura, a primeira entrada a solo de Twelvyy é, e não acreditem em quem vos tentar convencer do contrário, um dos registos mais inspirados do hip hop da cidade que nunca dorme.

A abertura “Castle Hell” define tom, estilo e forma do que está para vir. Auto-biográfico e com jeito para contar a sua história, Twelvyy desenha de forma muito elucidativa as vivências pelo Harlem e pelo Bronx. É já a partir daqui que se podem começar a atirar referências e nomes dos mais ilustres rappers da costa este. Mas ele vai mais longe. É quase sempre a rua, pois está claro. Mas depois de um curto interlúdio, aparece “Strapped” com um sample do doce Sampha. O amigo A$AP Rocky aparece em “Diamonds”, altura em que de mão dada vão ambos à caça dos rappers da nova geração… E em “L.Y.B.B. (Resolution)”, Twelvyy regressa às páginas do seu diário e à viagem que o trouxe das ruas para o “conforto” de quem tem os bolsos cheios de pasta.

 



O interlúdio “Uncle Mikey Skit” vive no monólogo do actor nova-iorquino Michael Rapaport. [Spoiler Alert] são só elogios à malta da A$AP Mob. A meio do registo, chega o singleHop Out” , faixa que conta com a participação de A$AP Ferg e, possivelmente, com um dos refrões mais orelhudos de 12. Twelvyy não vive fechado numa bolha e, se antes nos havia brindado com Sampha, em “Yea Yea Yea (Maps)”, não podia ser mais claro na referência a uma das cantigas mais melosas dos nova-iorquinos Yeah Yeah Yeahs. Em “EastSideGhost”, Twelvyy não esquece A$AP Yams, fundador da A$AP Mob. Aliás, nesta faixa em que também há referência ao videojogo Street Fighter, A$AP Nest, A$AP And e MDS juntam-se à luta.

À faixa 10, “Glorious Death”, os Flatbush Zombies assumem as rédeas numa malha bem disposta, com referências a tudo e mais alguma coisa, desde actrizes porno a ciclistas que não venceram 7 Voltas a França. E o passeio descontraído até à “Riviera” é feito com outra das coqueluches do rap de Nova Iorque, Joey Bada$$. A tríade final volta a concentrar-se no percurso do jovem agora adulto Jamel Philips, desde os postes de iluminação fosca das ruas até aos leds brilhantes da ribalta. Primeiro “Sunset Park”, de seguida de “Periodic Table”, uma das composições mais densas deste disco do rapper de 28 anos que aqui chama Deus, Michael Jordan e Dumbledore. “Brothers”, ao cair do pano, deverá ser um dos mais puros exercícios de introspecção de um homem que perdeu um dos seus melhores amigos, A$AP Yams.

Depois de diversas aparições em faixas quase sempre dentro da esfera da A$AP Mob, A$AP Twelvyy emancipa-se em 12, e de que forma. Ei! Nova Iorque! Ei! Psst! Estás de volta, caramba!

 


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