21 discos de rap nacional que esperamos para 2017

[TEXTO] Alexandre Ribeiro & Gonçalo Oliveira [FOTO] Vera Marmelo

 

O rap nacional prepara-se para mais um ano de alta voltagem e, esperamos nós, a contínua emancipação como género independente tem-se revelado capaz de gerar verdadeiros fenómenos. Piruka, por exemplo, lançou, na passada sexta-feira, novo álbum e foi o primeiro a estabelecer a base para 2017.

Seja por via de novos trabalhos de dinossauros como Mundo Segundo & Sam The Kid, Regula, Ace e Boss AC, de newcomers como Slow J, 9 Miller e Mishlawi ou de grupos como os Beatbombers, Orelha Negra ou GROGNation, o hip hop português promete – se todas as promessas que nos tem feito forem honradas -, ultrapassar os lançamentos de 2016.

 


[Mundo Segundo e Sam The Kid] ?

A ligação Norte-Sul continua a prosperar e 2016 trouxe mais um single –“Também Faz Parte” – e muitos concertos por Portugal fora. A dupla conversou com o Rimas e Batidas em Julho e revelou que “os beats para o álbum estavam quase fechados e as rimas a 35%”. Será este o ano em que finalmente se concluem os 65% em falta e assim recebemos um dos álbuns mais esperados dos últimos anos?

 


[Slow J] The Art Of Slowing Down

The Art Of Slowing Down estava prometido para final de 2016, mas o calendário esgotou-se sem que tenham surgido mais novidades. “Vida Boa” e uma demo de “Serenata” são os únicos sinais já conhecidos do álbum de estreia e a confirmação do talento de Slow J para cantar e rimar com excelência.

Gson, Papillon ou Intakto são para já os únicos colaboradores confirmados no sucessor de The Free Food Tape EP.

 


[Regula] Ouro Sobre Azul

Casca Grossa saiu em 2015 e consolidou o estatuto de jogador de primeira divisão do rap nacional de Regula, refinando os processos criativos da Superbad e trazendo para o centro das atenções o melhor de cada um.

Quanto a música nova, já se conhecem dois singles: “Tarzan” saiu no final de 2016 e mostrou as qualidades já bem conhecidas de Don Gula num beat de Lhast; “Genuino” é a amostra mais recente e o momento mais declaradamente trap de Regula numa produção de Magestik.

 


[Holly Hood] Sangue Ruim

O Dread Que Matou Golias marcou, indubitavelmente, o hip hop nacional em 2016 e trouxe o melhor da Superbad para a linha da frente. “Fácil” e “Cobras e Ratazanas” vão directamente para a lista de clássicos, mas agora é altura de virar o jogo para Sangue Ruim. “Ignorante” ainda é a única faixa conhecida do novo trabalho que não tem para já data de saída marcada.

 


[Here’s Johnny] ?

“Cúmplices” é diferente de tudo o que se já ouviu na música em Portugal. Se o toque de Midas de Here’s Johnny deixou mais de metade do rap nacional a soar bem, as suas criações parecem igualmente encaminhar-se para um local quente e, certamente, de qualidade.

No concerto esgotado de Holly Hood no Musicbox, o membro da Superbad estreou uma nova canção com voz de Gson e, como não poderia deixar de ser, soa a autêntico banger. Sem promessas feitas, esperamos ainda assim ser brindados com trabalho a solo de Here’s Johnny!

 


[Orelha Negra] ?

O maior bluff de 2016 foram os Orelha Negra. Deram o pontapé-de-saída com um concerto no CCB e material novo em embrião e lançaram dois singles: “Parte de Mim”, que mereceu reflexão aqui no ReB, e “A Sombra“, canção que tinha sido estreada no programa “No Ar” da Antena 3. Mas entretanto, não houve sinais do aguardado terceiro álbum que deverá, certamente, conhecer a luz do dia durante 2017.

 


[MGDRV] Draive

Depois de lançarem o EP homónimo no início de 2014, os MGDRV dedicaram-se à apresentação de faixas soltas – “Abana a Cabeça“, “Tu Não Tens” e “Maroto“, mudando a orientação editorial no fim de 2016 com “People à Rasca”, primeiro avanço de um novo álbum, que, segundo Apache, se irá intitular Draive.

 


[Mishlawi] ?

O artista nascido nos Estados Unidos da América e criado em Cascais teve um ano incrível e lançou 5 singles em 2016: “Boohoo” com Richie Campbell, “Always On My Mind”, “All Night”, “Limbo” e “Time” com Zara G (Wet Bed Gang). As diferenças evidentes  para o restante rap nacional – muito por culpa da utilização da língua inglesa-  tornam-no nome a não perder e a mixtape que vai antecipando nas redes sociais poderá ser a estocada final.

 


[Nerve] ?

Se Nerve emergiu com força devastadora em 2015 com Trabalho & Conhaque ou A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança, em 2017 a novidade é o novo EP sobre o qual o MC diz ter “umas três faixas fechadas, escritas e produzidas” revelando ainda estar “a apontar para seis.”

Ainda sobre música inédita, Tiago Gonçalves estreou com Mike El Nite uma nova faixa no Vodafone Mexefest. Será que teremos o Sacana Nervoso e o Justiceiro em missão de salvamento do rap nacional em 2017?

 


[TNT] Unhas e Dentes Vol.2

A Margem Sul tem contado com a Mano a Mano como principal pólo criativo: TNT prepara-se para lançar novo trabalho em 2017 e os dois primeiros singles, “MS Pride” (feat. Blasph) e “Check In” (feat. Melo D) mostram uma fasquia elevada pelo groove nas produções assinadas por DJ Player e nas rimas no ponto por um já veterano Daniel Freitas.

 


[Allen Halloween] Unplugueto

Retratar a realidade nua e crua com batidas industriais a deambular entre o hip hop, punk e rock mais rasgado: Allen Halloween sempre teve um caminho próprio no rap nacional e o próximo álbum, Unplugueto, será mais um exemplo disso. “Bandido Velho” e “O Primeiro Dia”, original de Sérgio Godinho, são os únicos singles revelados para já num álbum que Allen revelou, em declarações ao Rimas e Batidas, combinar material inédito e algumas versões de temas já conhecidos.

 


[GROGNation] ?

Os GROGNation são um dos grupos mais interessantes do rap nacional e “Molio”, primeiro avanço de um novo trabalho, é a mais recente amostra disso. Num beat produzido por Lhast, os 4 rappers – Prizko não rima nesta faixa -, renovam flows e criam expectativas para o que aí vem.

 


[Ace] ?

2016 foi um ano de altos e baixo para Ace: o anúncio do fim dos Mind da Gap marcou a recta final do calendário, mas durante o ano o MC também lançou o primeiro avanço, “Amor pela Vida”, do seu novo disco a solo e foi um dos convidados de “Na Mira”, rubrica de entrevistas da TV Chelas. Em conversa com o ReB, o MC do Norte contou que gostaria que o “álbum saísse o mais tardar no primeiro trimestre de 2017…” Estamos a aguardar.

 


[Beatbombers] ?

Existe alguma desculpa melhor que ser novamente campeão do mundo para preparar um novo álbum? Os Beatbombers, mais concretamente Stereossauro, revelaram em entrevista ao ReB que o próximo trabalho da dupla estava agendado para 2017. Sem mais informações, seria interessante ver uns quantos MCs da primeira divisão nacional a brilhar em cima de beats dos DJs e produtores das Caldas da Rainha. Só uma ideia…

 


[Orteum] ?

O trio sediado na Margem Sul pode continuar Hashado, mas não Perdido. Ao lançamento da segunda mixtape no ano passado, juntam-se também Tilt e Mass noutras iniciativas que vão nascendo no sub-solo: Colónia Calúnia e Consultório.

Uma demonstração de que a crew se mantém bem encaminhada para uma fase de fortes apostas.
Tilt surge na dianteira e já reservou o próximo dia 29 como sendo a data de lançamento do novo EP, sucessor de ACC/CDM, tendo também na calha um projecto colaborativo com VULTO.. Mass e Nero também apontam para 2017 com novas ideias para trabalhos a solo.

Os 3 juntos farão a festa por duas vezes este ano com dose dupla de EPs, sendo que um deles poderá, entretanto, evoluir para um álbum.

 


[Dizzy] Homem Invisível 

Homem Invisível é o título do novo álbum de Dizzy (Som Mudo), o sucessor de Homem Transparente, editado em 2014. Maze, Marta Dias, MadkutzTombo, Virtus, Raze, Ponto Cruz, DJ X-Acto e Fabrik são os colaboradores conhecidos para este regresso de Dizzy.

 


[Boss AC] ?

Sem lançar um álbum de originais desde 2012, AC para os amigos, Boss AC voltou em força ao radar do universo hip hop com “Caravana”, outro clássico instantâneo de 2016, realizado juntamente com Sam The Kid. Em “Na Mira”, disse ao MC de Chelas que estaria na berlinda uma mixtape, que até poderia sair com outro nome de artista…

 


[Secta] ?

O rapper da Marinha Grande é um caso sério para o liricismo praticado em Portugal, que ameaça explodir este ano após uma intensa Marcha quando desceu a Lisboa para se colocar lado-a-lado com o incansável VULTO.. O malabarismo da sua escrita aliado a um forte apetite por batidas alternativas fê-lo aproximar-se de Metamorfiko, um dos maiores segredos da produção algarvia e, juntos, têm um álbum na calha para editar durante 2017. O produtor aponta também para este ano como a época perfeita para a sua afirmação. Como cartão de visita espera apresentar-se com um álbum e um EP, ambos a solo.

 


[9 Miller] ?

“Limonada” é o primeiro passo para um álbum que virá a ser revelado num futuro próximo, trazendo o trap que caracteriza actualmente a Superbad para o reportório de 9 Miller. Lançando algumas faixas soltas ao longo dos anos, a Liga Knock Out deu-lhe visibilidade e uma base de fãs para poder confortavelmente construir o hype necessário para o trabalho de estreia.

 


[Kroniko] Estigma

Retrxspectiva em 2016, Estigma em 2017. Kroniko voltou com fome de arrasar e “Selva” foi o primeiro avanço num beat produzido por Prodlem. Ainda sem todos os pormenores revelados, Mike El Nite e Landim são colaboradores confirmados, dois nomes que serão adições fulcrais para a revigoração da sonoridade singular de Kroniko.

 


[Kristóman] Cruz Credo

Depois de ter lançado Remédio Santo em 2016, Kristoman prepara-se agora para uma aventura trap no novo EP intitulado Cruz Credo. No podcast “Três Pancadas”, o MC dos Tribruto contou que todos os beats foram comprados na Internet.

Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro

Passei os meus escritos da gaveta para o mundo "real" depois de concluir o curso de Jornalismo e Crítica Musical na ETIC.
Alexandre Ribeiro